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T Ó P I C O : Adoção de tecnologias da Embrapa contribui para a evolução da cafeicultura no Mato Grosso

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Adoção de tecnologias da Embrapa contribui para a evolução da cafeicultura no Mato Grosso


Autor: Leonardo Assad Aoun

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Último comentário neste tópico em: 04/06/2020 14:22:04


Leonardo Assad Aoun comentou em: 04/06/2020 14:21

 

Adoção de tecnologias da Embrapa contribui para a evolução da cafeicultura no Mato Grosso

 

Adoção de tecnologias e capacitações promovem o desenvolvimento da cadeia produtiva do café no MT

Por: EMBRAPA/AGROLINK


Imagem: Pixabay

Os produtores de café do Mato Grosso estão começando a colher os frutos dos investimentos realizados com a adoção de tecnologias e capacitações voltadas para o desenvolvimento desta cadeia produtiva no estado. Por meio do programa de revitalização da cafeicultura do Governo de Mato Grosso, a Embrapa Rondônia, parceira nesta ação, propôs e foi colocado em prática um conjunto de soluções tecnológicas para o aprimoramento da cafeicultura.

As ações envolveram a introdução de cultivares clonais de café desenvolvidas pela Embrapa, mais produtivo e com melhor resposta aos tratos culturais – antes o plantio era, em sua maioria, por sementes –, foram incentivadas a adoção de técnicas adequadas de manejo de poda, irrigação, adubação e boas práticas de colheita e pós-colheita. Foram disponibilizadas mais de 130 mil estacas de cultivares de café canéfora (robusta e conilon) desenvolvidas pela Embrapa Rondônia para a produção de mudas e implantação de unidades demonstrativas e jardins clonais. Isso proporcionou aos produtores a obtenção de materiais genéticos com qualidade. Assim como está sendo realizada a capacitação continuada de técnicos da cadeia do café, que têm multiplicado esses conhecimentos aos produtores no campo. 

Para o chefe de Transferência de Tecnologia da Embrapa, Frederico Botelho, a capacitação dos técnicos foi o ponto chave da revitalização da cafeicultura no Mato Grosso. “Com  o foco no processo de atualização do conhecimento dos técnicos para a adoção de tecnologias, eles levaram aos produtores tecnologias e boas práticas que foram adotadas e, com isso, foi possível contribuir com evolução produtiva que estamos vivenciando na cafeicultura do estado hoje”, explica.

Foram capacitados 100 técnicos para atender, atualmente, 50 municípios e mais de 700 produtores são atendidos diretamente pelo programa no estado, ou seja, quase 30% dos cafeicultores do Mato Grosso fazem parte desta ação. Segundo dados do Censo Agropecuário de 2017, o estado conta com 2.400 produtores de café. A espécie cultivada no estado é a canéfora, com as variedades conilon e robustas, assim como plantas híbridas destas duas variedades botânicas.

De acordo com o superintendente de Agricultura Familiar do Mato Grosso – SEAF, George Luiz de Lima, o impacto na cadeia produtiva do café já pode ser observado. “Os resultados deste trabalho já podem ser vistos nos dados que mostram tanto a expansão da cultura como o aumento da produção e produtividade. A contribuição da Embrapa com os Robustas Amazônicos em Rondônia foi referência para o Mato Grosso e queremos trilhar este caminho”, afirma George de Lima.

No período de 2015 a 2020, a produção de café no estado aumentou em 34%, chegando a uma estimativa de 168,8 mil sacas para a safra 2020. A produtividade aumentou 171%, saindo de 6,29 sacas por hectare na safra 2015, para uma expectativa de 17,05 sacas por hectares na safra 2020, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento - Conab. 

O produtor rural Lucas Miiller, é um dos pioneiros na cafeicultura no município de Nova Bandeirantes – MT. Há 20 anos ele trabalha com o café, mas conta que só nos últimos anos está conseguindo colher os frutos de tanta dedicação. Ele apostou no uso de tecnologias e boas práticas de manejo e o salto foi grande. 

Em 2005 a média de produtividade de sua lavoura era de 12 a 15 sacas por hectare e ele tinha, à época, oito hectares com café em produção, de onde ele obteve renda de R$1.800 na colheita. Em 2019, com metade da área em produção – quatro hectares – o produtor atingiu a média de 120 sacas por hectare e obteve mais de R$60 mil na colheita. Ele conta o segredo. “É a tecnologia! Eu troquei a lavoura de sementes por clones, comecei a fazer as podas, adubação e irrigação conforme o técnico me passava e deu nisso aí, conhecimento é sempre boa coisa pra gente. Estou conseguindo estudar os filhos, consegui comprar um carrinho e agora quero dobrar minha área de produção, para oito hectares”, comemora Miiller.

O produtor é um dos atendidos pelo programa que tem levado assistência técnica qualificada aos produtores do Mato Grosso. Segundo o engenheiro agrônomo da Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural – Empaer-MT, Thiago Tombini, é um pacote de tecnologias que tem sido adotado e que está começando a transformar o setor cafeeiro do estado e a vida das 2.400 famílias que atuam na cafeicultura. Tombini é quem atende o produtor Lucas. “As tecnologias trazidas pela Embrapa estão sendo muito bem aceitas pelos produtores, eles estão obtendo resultados e ficam ainda mais animados com a produção expressiva”, destaca Tombini. 

Atuação da pesquisa e transferência de tecnologias

Desde sua criação, em 2015, este programa conta com a parceria da Embrapa, por meio de duas unidades descentralizadas: Embrapa Rondônia e Embrapa Agrossilvipastoril, no Mato Grosso. Por meio de Acordo de Cooperação Técnica com a Secretaria de Estado de Agricultura Familiar e Assuntos Fundiários do Mato Grosso – SEAF têm sido realizadas atividades de pesquisa e validação das cultivares de café desenvolvidas pela Embrapa Rondônia e a implantação de jardins clonais para que os produtores possam ter acesso a mudas com qualidade. Assim como tem realizado capacitações de técnicos da Empaer-MT e das secretarias municipais participantes do programa, que atuam na assistência técnica dos cafeicultores. Já foram realizados quatro módulos de capacitação, abrangendo todas as etapas do sistema de produção de café. 

A Embrapa também tem participado de palestras e dias de campo para os agricultores e realizou também o diagnóstico da cadeia agroindustrial do café no estado, tendo como foco os dez municípios que participavam do Programa desde a sua fase inicial. O objetivo foi caracterizar a situação atual e o nível tecnológico dos setores de produção e comercialização de café nesses municípios, analisando também os aspectos institucionais e de consumo. 

De acordo com o superintendente da SEAF, George Luiz de Lima, de 2016 a 2020 o estado investiu cerca de R$4 milhões no programa e, em 2017, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – Mapa aportou mais R$6 milhões para a cafeicultura do estado. Todo este potencial da cafeicultura para a agricultura, fez como que  cadeia do café se tornasse prioritária no plano estadual de agricultura familiar. Segundo ele, as parcerias realizadas com prefeituras que criaram programas municipais em sinergia com o programa estadual, também estão fortalecendo as ações em prol do café no estado. 

Os trabalhos envolvem treinamentos de técnicos, estruturação de viveiros municipais, disponibilização de mudas, calcário e fertilizantes, aquisição e veículos para assistência técnica e extensão rural e demais atividades do programa e apoio a eventos voltados à cafeicultura, assim como disponibilização de patrulhas agrícolas às prefeituras para atendimento à cafeicultura.

Programa de Revitalização da Cafeicultura no Mato Grosso

O programa de revitalização da cafeicultura no Mato Grosso, criado em 2015 com o nome Pró Café MT, em 2019 foi reformulado, passando a se chamar Programa Mato Grosso Produtivo – Café. Tem como objetivo principal fomentar e fortalecer a cadeia produtiva do café nas regiões Norte e Noroeste do estado, como alternativa sustentável de geração de renda para conter o desmatamento nos municípios. 

Para atingir esses resultados, o programa foi estruturado em três eixos centrais. Um deles é o aumento da produção, produtividade e melhoria da qualidade do café por meio da difusão de boas práticas de produção de mudas, plantio, tratos culturais, colheita, pós-colheita e beneficiamento. O outro é a renovação e modernização gradativa das lavouras por meio de cultivares clonais certificadas e recomendadas pela Embrapa. O terceiro é a aproximação do agricultor familiar da assistência técnica e extensão rural e também do mercado, incentivando a comercialização e o consumo do café produzido no estado.

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