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T Ó P I C O : Café: As cotações domésticas do café arábica oscilaram fortemente em maio

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Café: As cotações domésticas do café arábica oscilaram fortemente em maio


Autor: Leonardo Assad Aoun

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Último comentário neste tópico em: 04/06/2020 14:05:00


Leonardo Assad Aoun comentou em: 04/06/2020 14:04

 

Café: As cotações domésticas do café arábica oscilaram fortemente em maio

 

As cotações domésticas do café arábica oscilaram fortemente em maio. No começo do mês, os valores foram impulsionados especialmente pela oferta restrita e pela elevação do dólar (que se aproximou dos R$ 6,00). Assim, no dia 8, o Indicador CEPEA/ESALQ do tipo 6 bebida dura para melhor, posto na capital paulista, atingiu R$ 597,52/saca de 60 kg, o maior patamar real diário desde 3 de fevereiro de 2017 (IGP-DI de abr/20).

Entretanto, a partir de meados do mês, os preços passaram a recuar com força, voltando a operar próximo de R$ 500/sc. Neste caso, a pressão veio das desvalorizações internacionais e do dólar e do início efetivo da colheita da safra 2020/21. Assim, entre 30 de abril e 29 de maio, o Indicador CEPEA/ESALQ do arábica recuou 59,72 Reais por saca (ou 10,4%), encerrando o mês a R$ 513,30/sc. Quanto ao dólar, teve média de R$ 5,639 em maio, forte avanço de 5,8% em relação à de abril.

No cenário externo, a média de todos os contratos negociados na Bolsa de Nova York (ICE Futures) foi de 106,45 centavos de dólar por libra-peso em maio, queda acentuada de 7,5% frente ao mês anterior. Vale apontar que os futuros foram pressionados especialmente no final de mês, devido às expectativas de possível safra recorde no Brasil. Relatório do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) divulgado no dia 28 estima produção brasileira (arábica e robusta) em 67,9 milhões de sacas de 60 kg na temporada 2020/21, avanço de 15% frente à de 2019/20. Para o arábica, a produção foi estimada em 47,8 milhões de sacas.

Para agentes consultados pelo Cepea, há divergências quanto ao real volume da safra. Uma parte dos colaboradores acredita que essa estimativa do USDA está acima do potencial produtivo nacional – estes agentes acreditam em safra próxima da registrada em 2018/19, em torno de 65 milhões de sacas. Já outra parte aponta que a temporada deve se aproximar, sim, das 68 milhões de sacas apontadas pelo USDA, fundamentada na entrada em produção de lavouras recentemente renovadas e nas ótimas condições no enchimento dos grãos, sendo que este último deve favorecer maior rendimento de peneira.

COLHEITA – Enquanto em regiões como a Mogiana (SP), Sul e Cerrado Mineiro as atividades da safra 2020/21 em maio ainda estiveram no início, no Noroeste do Paraná, Garça (SP) e Zona da Mata, colaboradores consultados pelo Cepea já indicam um maior volume de café colhido. Na primeira praça, até o encerramento de maio, os trabalhos da safra 2020/21 se aproximavam de 25 a 40%. Em Garça, a colheita era de 10 a 20% e, na Zona da Mata, de aproximadamente 10%.

Vale apontar que a maior parcela dos cafés novos que já chegaram ao mercado vem, de fato, apresentando alto percentual de grãos graúdos e bons rendimento e bebida. Entretanto, alguns novos lotes ainda apresentam alto percentual de grãos verdes, uma vez que a colheita ainda está no início.

Quanto aos impactos da pandemia nos trabalhos, até o momento, agentes relatam apenas problemas pontuais com a mão de obra. Entretanto, alguns colaboradores ressaltam que a colheita manual (realizada na Zona da Mata, Sul de Minas e algumas localidades de São Paulo) pode ser um pouco mais lenta nesta temporada, devido à pandemia do coronavírus, uma vez que alguns produtores têm optado por trazer um menor número de colhedores de outras regiões, para facilitar a adaptação dos alojamentos e do transporte.

Este cenário também tem levantado dúvidas quanto ao impacto na produção de café cereja – a colheita deste tipo deve ser mais acelerada, para evitar que os grãos sequem. Em outras origens, as preocupações quanto à mão de obra também foram relatadas. Segundo agências de notícias internacionais, países da América Central e a Colômbia relataram dificuldades na contratação de colhedores, devido aos problemas de adaptação dentro das próprias fazendas e às restrições na circulação de pessoas entre países vizinhos – é bastante comum que parte da mão de obra venha de fora destes países. 

Os preços domésticos do café robusta avançaram na maior parte de maio. Apesar do avanço da colheita da safra 2020/21, as cotações foram impulsionadas especialmente pelo dólar em patamar recorde nominal, pelo leve aumento da demanda e pela oferta restrita de cafés – neste caso, ressalta-se que os lotes de café novo chegaram ao mercado de maneira mais lenta em maio. Além da retração de vendedores no início da safra, uma parte do café novo já estava comprometida, devido a negócios previamente fechados.

Da parte compradora, agentes comentam preocupações quanto às entregas já programadas, visto que os preços no físico estiveram acima dos valores fechados anteriormente. Isso resultou em aumento pontual na procura por cafés novos e reforçou a retração de produtores, que esperam valorizações ainda mais expressivas do grão.

Em maio, o Indicador CEPEA/ESALQ do tipo 6 peneira 13 acima teve média de R$ 354,69/sc de 60 kg, elevação de 6,9% frente a abril. O tipo 7/8 bica corrida teve média de R$ 344,05/sc, avanço de 7,1% no mesmo comparativo. Em relação a maio/19, as médias subiram expressivos 20,1% para o tipo 6 e 20,7% para o 7/8, em termos reais (os valores foram deflacionados pelo IGP-DI de abr/20). Vale apontar que, apesar dos maiores patamares, os preços voltaram a recuar na última semana de maio, devido às quedas do dólar e dos valores externos do grão e à entrada de maior volume de café novo no Brasil.

No front externo, os contratos de robusta finalizaram maio com leve queda, influenciados por fatores técnicos e pelo avanço da colheita no Brasil. O contrato Setembro/20 do robusta negociado na Bolsa de Londres (ICE Futures Europe) fechou a US$ 1.189/tonelada no dia 29, baixa de 0,4% na comparação com o último dia útil de abril.

COLHEITA – Apesar de algumas reclamações pontuais quanto à mão de obra, a colheita do café robusta no Brasil não tem sido prejudicada significativamente pela pandemia de coronavírus. Em Rondônia, os trabalhos já estavam muito avançados até o final de maio, com as atividades chegando entre 60 e 70% do total esperado. No Espírito Santo, o volume colhido era de 35 a 45%.

De acordo com dados da USDA, a produção 2020/21 de robusta está estimada em 20,1 milhões de sacas. Agentes consultados pelo Cepea, no entanto, acreditam em bom volume, mas, inferior ao da temporada 2019/20 (as estimativas eram de 18 milhões de sacas), devido à quebra em algumas lavouras do Espírito Santo. Na praça capixaba, uma parcela dos produtores sinaliza quebra de produção de 20 a 30% em relação à safra passada, devido a adversidades climáticas, como ventos na florada e tempo seco na formação dos chumbinhos e no início do enchimento.

Quanto ao cenário externo, os impactos da pandemia na produção não têm ocorrido no Vietnã, visto que a colheita no país asiático deve iniciar apenas no final do segundo semestre de 2020. Produtores, no entanto, já mostraram preocupações quanto ao clima mais seco do país, que poderia prejudicar a nova safra, segundo agências internacionais.

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Fonte: Cepea/Notícias Agrícolas

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