T Ó P I C O : El Niño preocupa produtores de grãos, café e outras lavouras, com chance de produção abaixo da média
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El Niño preocupa produtores de grãos, café e outras lavouras, com chance de produção abaixo da média
Autor: Leonardo Assad Aoun
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Último comentário neste tópico em: 19/06/2026 16:35:51
Leonardo Assad Aoun comentou em: 19/06/2026 16:50
El Niño preocupa produtores de grãos, café e outras lavouras, com chance de produção abaixo da média
A depender de uma combinação de fatores, preços dos alimentos mais afetados pelas condições extremas podem subir em 2027
Café é uma das culturas que podem ser afetadas pelos eventos extremos causados pelo El Niño - Foto: Paula Laboissière/Agência Brasil
Agricultores de todo o Brasil, especialmente das regiões Sudeste e Sul, já se preparam para enfrentar as consequências climáticas do El Niño. Conforme a Organização Meteorológica Mundial (OMM), as chances de ocorrência do fenômeno são de 80% até agosto, com 90% de chance de perdurar até novembro, com intensidade moderada à forte. O fenômeno costuma provocar longos períodos de secas em algumas regiões, e chuvas extremas em outras. A expectativa no agronegócio é de queda de produção em diversos tipos de culturas - o que, somado a diversos outros fatores, pode levar ao aumento de preços em determinados alimentos em 2027.
De acordo com uma nota técnica do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o potencial produtivo de trigo e aveia, especialmente no Sul do país, pode cair consideravelmente devido aos impactos do fenômeno. Com base em dados da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB), o Mapa observou grande probabilidade de produtividades abaixo da média nos três estados. Em Santa Catarina (SC) e no Rio Grande do Sul (RS), ao menos 80% da produção de trigo tem chances de ser abaixo da média. No Paraná (PR), 40%. No caso da aveia, no RS e PR, 60% da produção deve ficar abaixo da média.
Essas quedas estão ligadas a diversas consequências do fenômeno. No Sul, por exemplo, os meses mais críticos para o cultivo de cereais coincidem justamente com os períodos chuvosos. “Nessas condições, as culturas são mais suscetíveis ao excesso hídrico ao longo do ciclo fenológico, sobretudo nas fases de floração, enchimento de grãos e maturação, o que pode comprometer o desenvolvimento e reduzir a produtividade”, diz a nota do Mapa. “Além disso, a elevada umidade no solo favorece a ocorrência de doenças fúngicas, prejudica a qualidade dos grãos e dificulta o tráfego de máquinas, limitando a realização adequada das práticas de manejo”, acrescenta.
O analista de assistência técnica e gerencial do Sistema Faemg Senar, Altino Júnior Mendes Oliveira, explica que os eventos climáticos extremos (como seca e chuva em excesso) podem afetar variadas culturas. Além do trigo e da aveia, é possível citar também soja, milho, feijão, arroz, café, morango e hortaliças, que são extremamente sensíveis.
No caso da soja, cuja safra começa em meados de setembro, exatamente o período de maior impacto do El Niño, pode haver impactos em três períodos cruciais e mais vulneráveis: plantio, germinação e florescimento. “Se faltar chuva nesse período, a semente não vai conseguir germinar. Mas se chover demais no plantio, pode acontecer até de ocasionar o cozimento da semente no solo”, explica.
Café
O coordenador técnico da Emater-MG Bernardino Cangussu lembra que, na prática, a ocorrência de chuvas, veranicos (verão fora de época) e secas favorece chuvas de granizo e geadas, que podem ser fatais para plantações de café, por exemplo. “Chuva excessiva ou seca pode atrasar os tratos culturais, você pode não conseguir fazer uma adubação correta ou na hora correta, pode não fazer uma pulverização necessária para aquela planta”, diz.
O especialista explica que mudanças de temperatura, umidade, presença de pragas e doenças podem causar, por exemplo, o abortamento de flores e frutos do cafeeiro, reduzindo a produção. “E também injúrias nas plantas, principalmente por chuvas de granizo, chegando ao ponto de afetar a planta e ter uma poda drástica. A geada e a seca podem levar à morte das plantas. Os prejuízos para o cafeicultor e para a agricultura são muito grandes”, detalha Cangussu.
Preços vão subir?
Uma das principais preocupações é se, diante desse possível cenário caótico, os preços dos alimentos mais afetados pelos eventos extremos vão subir. Altino Júnior, da Faemg, explica que, caso o El Niño provoque perdas significativas de produtividade ou redução na oferta de culturas importantes, há, sim, possibilidade de alta de preços no ano que vem. “No entanto, essa possibilidade dependerá da intensidade do fenômeno, da distribuição das chuvas, dos estoques disponíveis, da demanda interna e externa e do comportamento do mercado internacional”, pondera.
É possível evitar impactos?
A ocorrência de eventos extremos é inevitável, mas produtores já podem trabalhar com sistemas de proteção das lavouras para minimizar os impactos. Bernardino cita, por exemplo, o cuidado de nutrição das plantas. “Se a planta está bem nutrida, com um manejo correto de podas, ela está bem. Ela forte tem uma maior condição de buscar água em locais profundos em casos de seca e resiste melhor a pragas e doenças”, diz.
Outra sugestão é a aplicação de caixas de contenção de enxurradas. “Essas caixas, além de evitar que a água de chuvas fortes escorram, ela ajuda também a armazenar água para os períodos de veranico”, explica o coordenador técnico.
No caso de hortaliças, que são mais sensíveis, Altino Júnior cita outras medidas. “Trabalhar com irrigação em horários mais específicos, na parte da manhã, no final do dia. Até porque, nesse horário, ela não vai sofrer com a evaporação daquela água”, cita. “Outra possibilidade é o produtor trabalhar em ambiente protegido, utilizar tela de sombreamento, isso tudo ajuda a evitar algumas coisas como sol em excesso e chuva em excesso”, diz.
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