T Ó P I C O : Secagem do café exige atenção para preservar qualidade e rentabilidade
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Secagem do café exige atenção para preservar qualidade e rentabilidade
Autor: Leonardo Assad Aoun
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Último comentário neste tópico em: 17/06/2026 16:01:58
Leonardo Assad Aoun comentou em: 17/06/2026 16:14
Secagem do café exige atenção para preservar qualidade e rentabilidade
Processos pós-colheita bem conduzidos ajudam a evitar perdas e contribuem para a valorização dos lotes

A secagem do café é uma das etapas mais importantes do pós-colheita e tem influência direta na qualidade final da bebida e na rentabilidade do produtor. Após a colheita, os frutos geralmente apresentam cerca de 60% de umidade, exigindo cuidados específicos para que a retirada da água ocorra de forma uniforme, sem comprometer características sensoriais e comerciais dos grãos.
Segundo César Augusto dos Reis de Oliveira, do Departamento Técnico da Cooxupé, o produtor deve iniciar esse processo adotando boas práticas desde a chegada do café da lavoura.
“Na secagem em terreiro, o produtor deve se atentar para não misturar lotes de lavouras diferentes ou café com mais de três dias de intervalo de colheita”, orienta.
Cuidados iniciais evitam fermentações indesejadas
Nos primeiros dias, a perda de água ocorre de forma mais acelerada. Por isso, a recomendação é espalhar os frutos em camadas finas, favorecendo a secagem uniforme e reduzindo os riscos de fermentações causadas por bactérias e leveduras.
Para lotes de café natural, a orientação técnica é utilizar aproximadamente 14 litros de café por metro quadrado de terreiro. Já para cafés em pergaminho, a recomendação é de 7 litros por metro quadrado.
Conforme a secagem avança, a água passa a permanecer nas camadas mais internas dos grãos, tornando o processo mais lento. Nesse estágio, é possível aumentar gradualmente a espessura das camadas e iniciar o revolvimento constante do café.
Secagem do café requer manejo diário
A partir do momento em que o café suporta o peso do operador ou do implemento utilizado no terreiro, inicia-se uma nova fase do manejo. O revolvimento passa a ser fundamental para garantir uniformidade na secagem.
No caso dos cafés em pergaminho, desmucilados ou despolpados, o revolvimento deve ocorrer desde o início do processo. A recomendação técnica é realizar entre 12 e 16 revolvimentos diários, aumentando gradualmente a espessura das camadas.
Após um ou dois dias de exposição ao sol, o produtor já pode realizar as chamadas dobras no terreiro ou concluir a secagem em secadores mecânicos.
Outro cuidado importante ocorre durante a meia seca. Nessa fase, recomenda-se enleirar e cobrir o café diariamente, preferencialmente por volta das 15 horas, utilizando pano de colheita e lona.
“Essa prática evita condensações que podem devolver umidade aos grãos e contribui para uma secagem mais uniforme”, explica César Augusto.
Uso de secadores exige controle de temperatura
Além dos terreiros, muitos produtores utilizam secadores mecânicos, como os modelos rotativos, verticais e estáticos. Nesses equipamentos, a separação dos lotes por qualidade, talhão e nível de umidade é essencial para garantir eficiência e padronização.
Também é importante observar o carregamento correto do equipamento e manter espaço suficiente para o revolvimento dos grãos. O monitoramento da temperatura merece atenção especial.
“É fundamental verificar os termômetros e elevar a temperatura gradativamente, respeitando sempre os limites recomendados para não prejudicar a qualidade do café”, destaca o técnico.
A orientação também inclui alternar períodos de secagem e repouso, desligando o equipamento durante a noite para favorecer a uniformização da umidade.
Monitoramento da umidade define o ponto ideal
O acompanhamento da umidade deve ser realizado regularmente durante todo o processo. Equipamentos de medição precisam estar calibrados e armazenados em locais limpos, livres de poeira e com temperatura adequada.
A recomendação técnica é retirar o café do terreiro ou secador quando os grãos atingirem umidade entre 10,8% e 11,2%, faixa considerada ideal para conservação da qualidade.
Armazenagem correta preserva o resultado alcançado
Após a secagem, os cuidados continuam. O armazenamento inadequado pode comprometer todo o trabalho realizado anteriormente.
“Antes do beneficiamento, é importante priorizar tulhas de compensado naval em ambientes ventilados, com pouca luz e protegidos contra infiltrações. Também é necessário manter as instalações limpas e respeitar o período de descanso dos lotes”, afirma César Augusto.
Para cafés especiais, a recomendação é um descanso de aproximadamente 30 dias. Já para cafés commodities, o período indicado é de cerca de 10 dias.
Quando o armazenamento ocorre em sacarias ou big bags, o ideal é utilizar pallets e manter os lotes afastados pelo menos 70 centímetros das paredes, com isolamento adequado do piso e das laterais.
Qualidade construída após a colheita
Cooperado da Cooxupé em Conceição Aparecida (MG), Amarildo dos Santos Borba destaca que a etapa pós-colheita é decisiva para a valorização do café.
“O pós-colheita é a parte mais importante, porém a mais difícil, porque se a gente errar na secagem coloca tudo a perder. Uma secagem bem-feita, homogênea e com temperatura adequada é fundamental para garantir qualidade e evitar prejuízos”, ressalta.
Confira o novo episódio do Cooxupé em Foco e acompanhe as recomendações para realizar a secagem do café de forma adequada, tanto em terreiros quanto em secadores mecânicos, garantindo maior uniformidade dos grãos, preservação da qualidade e melhor valorização da produção.
Fonte: CCCMG
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