T Ó P I C O : Alto consumo nos EUA pode pesar a favor do café solúvel brasileiro, avalia indústria
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Alto consumo nos EUA pode pesar a favor do café solúvel brasileiro, avalia indústria
Autor: Leonardo Assad Aoun
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Último comentário neste tópico em: 08/06/2026 14:39:30
Leonardo Assad Aoun comentou em: 08/06/2026 14:53
Alto consumo nos EUA pode pesar a favor do café solúvel brasileiro, avalia indústria
Para diretor da Abics, novas tarifas propostas pelo governo Trump são pressão para obter acordo vantajoso
Por Raphael Salomão — São Paulo | Globo Rural
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Café solúvel brasileiro está fora da lista de isenções às tarifas de importação dos EUA — Foto: Divulgação/Abics
A indústria brasileira de café solúvel avalia que o elevado consumo e o efeito dos preços sobre a inflação nos Estados Unidos podem ser relevantes para uma eventual retirada das tarifas de importação. É o que diz o diretor executivo da Abics, que representa o segmento, Aguinaldo José de Lima.
Diferentemente de outras categorias de café, o solúvel não está na lista de isenções da política tarifária do governo americano. Até agora, está sujeito à tarifa global de 10% aplicada de forma linear pela Casa Branca, depois que a Justiça considerou ilegal o primeiro tarifaço.
A situação, no entanto, ficou mais preocupante, na visão da indústria brasileira, depois que a Representação de Comércio dos Estados Unidos (USTR) propôs novas tarifas a partir de investigações com base na seção 301 da lei de comércio americana.
No dia 2 de junho, a USTR propôs a adoção de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. No dia 3, o governo Trump voltou à carga, com o acréscimo de 12,5% para produtos de mais de 60 países, o que inclui o café solúvel do Brasil.
Somadas, as tarifas resultariam em um acréscimo de 37,5% para o produto brasileiro entrar no mercado americano. “É mais uma preocupação. Mais uma coisa para argumentar e negociar”, diz Lima. “O que é que nós temos de esperança no solúvel? É um produto essencial para os americanos e impacta na inflação deles”, acrescenta.
A National Coffee Association (NCA), que reúne a indústria e importadores dos Estados Unidos calcula que o aumento de preços do café solúvel eleva o custo de vida para cerca de 30,5 milhões de americanos que consomem o produto diariamente. Seu presidente, Bill Murray, disse concordar que as tarifas sobre o produto são prejudiciais para os próprios americanos.
“O café solúvel também é um insumo essencial para a fabricação de produtos de valor agregado nos EUA, como o cold brew e o café pronto para beber”, disse, semana passada, em nota enviada à reportagem. Murray esteve recentemente no Brasil, onde participou do Seminário Internacional do Café, em Santos (SP).
O que a gente percebe é que há pressão para sair um acordo comercial vantajoso para os Estados Unidos com o Brasil"
— Aguinaldo José de Lima, diretor executivo da Abics
Durante o evento, destacou a importância de o café ser isento de tarifas. Em entrevista à Globo Rural, disse acreditar que há argumentos suficientes para que o solúvel seja incluído nas isenções.
Na nota enviada à reportagem semana passada, destacou que empresários e negociadores do Brasil devem “redobrar esforços para alcançar um acordo bilateral que atenda prioridades dos EUA em relação ao comércio justo, garantindo que as tarifas sobre o solúvel não prejudiquem empresas e consumidores americanos nem a economia dos EUA”.
A decisão final da Casa Branca sobre essas novas tarifas deve sair até o dia 7 de julho. Antes, autoridades americanas farão audiências em que os setores mencionados poderão apresentar suas argumentações. A Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel pretende se pronunciar, diz Aguinaldo Lima.
No entanto, independentemente das manifestações do setor privado, as conversas entre os dois governos é que vão determinar os rumos do comércio entre Brasil e Estados Unidos.
"O que a gente percebe é que há pressão para sair um acordo comercial vantajoso para os Estados Unidos com o Brasil. Vai depender da postura do governo e de como vamos assimilar isso para virar uma oportunidade de bons acordos”, diz o diretor executivo da Abics.
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