T Ó P I C O : Colheita do arábica abre em Iúna com irrigação no centro do debate
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Colheita do arábica abre em Iúna com irrigação no centro do debate
Autor: Leonardo Assad Aoun
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Último comentário neste tópico em: 28/05/2026 17:20:57
Leonardo Assad Aoun comentou em: 28/05/2026 17:36
Colheita do arábica abre em Iúna com irrigação no centro do debate
Por Stefany Sampaio | Folha Vitória

O Sítio Toinzé, em Iúna, na região do Caparaó capixaba, foi o cenário da abertura oficial da colheita do café arábica no Espírito Santo nesta terça-feira, 26 de maio. A cerimônia reuniu produtores rurais, pesquisadores, autoridades e lideranças do setor e aconteceu num lugar escolhido a dedo.
O Sítio Toinzé é referência na cafeicultura de montanha capixaba: combina irrigação, secagem de café a gás, manejo sustentável e altas produtividades, sendo reconhecido como exemplo de inovação para os produtores da região.
“Estimamos colher aproximadamente cinco milhões de sacas de café, o que nos coloca entre os três maiores produtores do Brasil”, afirmou o governador Ricardo Ferraço durante a cerimônia.
Com mais de 26 mil propriedades cultivando café arábica e área colhida chegando a 127,5 mil hectares, segundo a Seag, o Espírito Santo ocupa a terceira posição entre os maiores produtores da espécie no Brasil.
O resultado esperado para 2026 é impulsionado pelo ciclo de alta bienalidade das lavouras, característica natural da cultura que alterna anos de maior e menor produtividade e pelo avanço da produtividade após um ciclo negativo em 2025.
O secretário de Estado da Agricultura, Enio Bergoli, destacou o papel estratégico da cultura para as regiões de montanha. “A cafeicultura arábica movimenta a economia, gera renda e fortalece milhares de famílias da agricultura familiar.
A expectativa de crescimento da safra 2026 demonstra a força do setor e o avanço dos investimentos em tecnologia, irrigação, manejo e sustentabilidade”, afirmou.
A programação do evento não foi apenas simbólica. O tema central das palestras técnicas foi a irrigação e há razão para isso. Em uma propriedade rural em Brejetuba, o Incaper conduziu uma unidade demonstrativa do Projeto Cafeicultura Sustentável que coloca lado a lado duas lavouras de café arábica: uma irrigada e outra não. Os resultados chamam atenção. Na safra passada, a área sem irrigação registrou produtividade média de 40 sacas por hectare. A área irrigada por gotejamento alcançou 78 sacas, praticamente o dobro, segundo dados do Incaper.
Além do aumento em volume, os técnicos observaram maior uniformidade da florada, melhor enchimento dos grãos e mais estabilidade produtiva mesmo em períodos de estiagem.
O arábica capixaba historicamente não era irrigado. O relevo acidentado das regiões serranas, o custo inicial de implantação dos sistemas e a falta de informação técnica sobre a viabilidade da tecnologia nessas condições mantiveram a irrigação como prática quase exclusiva do conilon no estado.
O Projeto Cafeicultura Sustentável, coordenado pelo Incaper e vinculado ao Programa de Desenvolvimento Sustentável da Cafeicultura da Seag, está mudando esse cenário com unidades demonstrativas instaladas em propriedades reais, mostrando ao produtor o que a tecnologia entrega na prática.
“Nosso papel é mostrar que a irrigação pode ser viável e transformadora, quando bem planejada e conduzida de forma sustentável”, afirma Fabiano Tristão, coordenador de cafeicultura do Incaper.
A evolução da cafeicultura capixaba nas últimas décadas mostra que a adoção de tecnologia tem sido o motor central dos ganhos de produtividade. No fim dos anos 1990, a produção estadual de café estava em torno de 2,5 milhões de sacas, conilon e arábica somados, em área maior do que a atual. Hoje, o ES projeta colher quase 19 milhões de sacas em 2026, segundo estimativa da Seag. A área não triplicou. A tecnologia sim. Clones superiores, manejo nutricional, mecanização e, no conilon, irrigação em larga escala foram as alavancas que multiplicaram o resultado por hectare.
Para o arábica, a irrigação é o próximo passo dessa trajetória. O produtor que atua nos municípios do Caparaó- Iúna, Ibitirama, Alegre, Muniz Freire, Brejetuba, Castelo – tem lavouras em altitude que produzem café com características sensoriais valorizadas pelo mercado premium internacional.
Dobrar a produtividade por hectare sem ampliar área, com melhor qualidade de grão e mais estabilidade produtiva diante das variações climáticas, é exatamente o tipo de resultado que a irrigação por gotejamento está demonstrando ser capaz de entregar.
O diretor-geral do Incaper, André Barros, resumiu o objetivo do evento. “A expectativa de uma safra expressiva evidencia a capacidade dos produtores capixabas de aproveitar o potencial produtivo por meio de investimentos em manejo, tecnologia e sustentabilidade. A abertura da colheita é uma oportunidade para valorizar esse trabalho e discutir temas estratégicos, como o uso eficiente da água”, destacou.
O produtor de arábica capixaba chega à safra 2026 com a melhor expectativa de volume dos últimos anos. A colheita que começa agora nas regiões de montanha vai definir se esse potencial se converte em resultado no caixa da propriedade e a irrigação, que dobrou produtividade, é o argumento mais concreto disponível para quem quer garantir que a próxima safra entregue ainda mais.
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