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T Ó P I C O : Agro capixaba exporta R$ 4,6 bilhões em quatro meses: pimenta bate recorde e café recua em volume

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Agro capixaba exporta R$ 4,6 bilhões em quatro meses: pimenta bate recorde e café recua em volume


Autor: Leonardo Assad Aoun

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Último comentário neste tópico em: 28/05/2026 17:20:57


Leonardo Assad Aoun comentou em: 28/05/2026 17:34

 

Agro capixaba exporta R$ 4,6 bilhões em quatro meses: pimenta bate recorde e café recua em volume

 

Por Stefany Sampaio | Folha Vitória

Agro capixaba exporta R$ 4,6 bilhões em quatro meses: pimenta bate recorde e café recua em volume

O agronegócio do Espírito Santo exportou R$ 4,6 bilhões entre janeiro e abril de 2026, com produtos comercializados em 110 países, segundo dados da Seag. O resultado confirma o ritmo forte de inserção internacional do setor, mas os números por produto contam uma história mais complexa do que o total sugere, e ela merece atenção.

O café seguiu como principal motor, movimentando US$ 464 milhões e respondendo por 51,1% de toda a receita gerada pelo agro capixaba no período. A celulose veio em segundo lugar, com US$ 243 milhões e participação de 26,8%. E a pimenta-do-reino chegou a US$ 158,8 milhões, 17,5% das exportações, a maior fatia que a especiaria já registrou na pauta capixaba.

Juntos, esses três produtos responderam por mais de 95% do valor exportado pelo agronegócio estadual no quadrimestre.

A novidade estrutural está na pimenta. Pela primeira vez, a especiaria ultrapassou a marca de 17% na pauta exportadora capixaba, com crescimento de 17,4% em valor e 15,8% em volume em relação ao mesmo período de 2025. É um reflexo direto da expansão da cultura no norte do estado, área plantada que cresceu 658% em dez anos e produção que multiplicou por nove no mesmo período. A pimenta deixou de ser cultura secundária e passou a ocupar um espaço permanente no topo da pauta capixaba.

O que chama atenção, porém, está no comportamento do volume dos dois principais produtos. O complexo café recuou 1,3% em volume exportado no quadrimestre, e a celulose caiu 10,7%. O ES exportou bem em valor, mas os dois maiores geradores de divisas embarcaram menos toneladas do que no mesmo período de 2025.

No café, a queda de volume reflete o ajuste de estoques e a pressão de preços em queda desde o fim de 2025. Na celulose, a retração acompanha um ciclo de menor demanda global por papel e embalagens no início do ano.

A diversificação de destinos também avança. Os Estados Unidos lideraram as compras com US$ 189,1 milhões, 20,8% do total. A Turquia apareceu em segundo lugar com US$ 67,9 milhões e 7,5%, e a Colômbia em terceiro com US$ 54,7 milhões e 6%. O Oriente Médio, mercado que vem crescendo silenciosamente, movimentou US$ 56,87 milhões no período, alta de 12,3% em relação ao mesmo quadrimestre de 2025.

O café capixaba avançou 59,3% em valor para a região, com 6,88 milhões de quilos embarcados, crescimento de 50,1% em volume. É um mercado que ainda não recebe a atenção que merece e que está comprando mais.

O secretário de Estado da Agricultura, Enio Bergoli, destacou a chegada da pimenta-do-reino ao novo patamar como sinal de diversificação consistente.

“O café continua sendo a principal força da pauta, mas a pimenta-do-reino vem ganhando espaço de forma consistente e já responde por uma fatia inédita das exportações do setor. O Espírito Santo está ampliando sua capacidade de gerar divisas com cadeias diversas. Para o Estado, esse é um sinal positivo, porque reduz dependências do café, abre novas oportunidades comerciais e fortalece a renda no campo”, afirmou.

Para o produtor capixaba, o retrato dos quatro primeiros meses de 2026 é de uma pauta sólida, mas em movimento. O café ainda domina, mas o volume recuou. A celulose mantém relevância, mas também exportou menos. E a pimenta-do-reino chegou a um patamar que consolidou sua posição como terceiro pilar da pauta. O Oriente Médio cresce como destino.

A Europa se abriu com o acordo comercial. O ES chega ao meio do ano com mais mercados, mais produtos e mais destinos e com a tarefa de converter essa diversificação em resultado consistente por hectare para cada produtor que compõe essa pauta.

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