T Ó P I C O : Mais de 80% dos cafeicultores do AC são pequenos produtores, aponta pesquisa: 'Valorizar nossa terra'
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Mais de 80% dos cafeicultores do AC são pequenos produtores, aponta pesquisa: 'Valorizar nossa terra'
Autor: Leonardo Assad Aoun
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Último comentário neste tópico em: 26/05/2026 14:11:39
Leonardo Assad Aoun comentou em: 26/05/2026 14:32
Mais de 80% dos cafeicultores do AC são pequenos produtores, aponta pesquisa: 'Valorizar nossa terra'
Levantamento do Sebrae mostra que 83% dos cafeicultores acreanos atuam em propriedades com menos de 20 hectares, índice que coloca o estado em 2º lugar em porcentagem no país.
Por Walace Gomes — Rio Branco | g1
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Produção de café saltou mais de 100% no Are — Foto: Arquivo pessoal
O café está sendo o novo protagonista do agronegócio no Acre para os pequenos produtores. É o que aponta um levantamento do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), divulgado nesta segunda-feira (25).
Conforme a pesquisa, 83% dos cafeicultores acreanos atuam em propriedades com menos de 20 hectares, o que coloca o estado entre os maiores percentuais do país, atrás apenas de Rondônia, que lidera com 87%. (Confira abaixo)
Já a nível nacional, 54% dos produtores brasileiros de café são formados pelos pequenos negócios. Os produtores de médio porte somaram 38% do total e apenas 8% foram considerados produtores de grande porte.
Ainda conforme a pesquisa, o perfil do produtor à frente de pequenos negócios, tem média de 49 anos entre os perfis analisados e até 21 anos de experiência na área. Minas Gerais e São Paulo foram os estados que predominaram com médios produtores.
A pesquisa entrevistou 1.102 produtores em 14 estados. Mais da metade dos entrevistados tem o ensino médio completo. Ainda assim, os homens é que são maioria no setor, com 79% de participação, frente a 21% de produtoras de café.
No ano passado, a produção de café no Acre chegou a 6.632 toneladas segundo o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O índice representa um um aumento de 115,3% em um ano.
Conforme o levantamento à época, foram plantados 1.931 hectares de café em dezembro de 2024, enquanto a colheita de dezembro de 2025 foi de 1.926 hectares. Já através do Programa Copiai I que concede incentivo tributário ao contribuinte, programa gerou R$ 31,1 milhões em incentivos.
Maior número de pequenos produtores
- Rondônia: 87%;
- Acre: 83%;
- Goiás e Distrito Federal: 76%.
Produção local
A pesquisa ainda indicou que 61% dos entrevistados informaram produzir café especial. Um exemplo é a produtora Keyty Kety Espíndola, da Reserva Extrativista Chico Mendes, no município de Brasiléia, interior do estado, que une sofisticação à preservação ambiental.
“Hoje, o trabalho com a produção de café tem garantido dignidade para a nossa família e mudado a nossa perspectiva de vida. Além disso, a gente consegue gerar renda para outras pessoas da comunidade”, destacou.
Durante o período de colheita e manejo, até 20 trabalhadores são contratados, fortalecendo a economia local. A produtora divide a produção em três categorias:
- Café tradicional, vendido para indústrias locais;
- Café especial natural, destinado à marca própria;
- Café especial fermentado, utilizado em concursos e feiras.
Keyty disse que o reconhecimento veio rapidamente. Em 2024, a produção ficou entre os melhores cafés do Brasil, alcançando o 11º lugar em ranking nacional, além de premiações estaduais. O café produzido na reserva já foi exportado para os Estados Unidos, China e Itália.
"Como produtora, vejo que o agro sustentável tem transformado nossa região. Produzir café com responsabilidade valoriza nossa terra, história e entrega um café cada vez mais reconhecido pela qualidade. Temos avançado muito nesses últimos anos através da promoção do concurso de qualidade onde cada ano nos reiventamos e aprendemos como manejar nossa lavoura", disse.
Segundo Keyty, a valorização no mercado internacional é expressiva. “Enquanto uma saca vendida aqui chega a R$ 400, esse mesmo café exportado pode alcançar até R$ 2 mil”, explicou.
Apesar dos avanços, a produtora aponta que atualmente, os principais desafios são a falta de irrigação, dificuldades de acesso por ramais e o baixo consumo local de cafés especiais. Ainda assim, ela avalia que a percepção sobre a qualidade do café acreano tem mudado.
“Já foi provado que o Acre produz café de qualidade. Esse pensamento de que café bom é só o de fora está ficando para trás”, declarou Espíndola.
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