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T Ó P I C O : CAFÉ: Quem Acotovela Quem? | Por Celso Vegro

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CAFÉ: Quem Acotovela Quem? | Por Celso Vegro


Autor: Leonardo Assad Aoun

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Último comentário neste tópico em: 18/05/2026 22:36:55


Leonardo Assad Aoun comentou em: 18/05/2026 22:51

 

Quem Acotovela Quem? | Por Celso Vegro

 

Quem Acotovela Quem?

Em 1937, iniciou-se, no Brasil, o Estado Novo sob a ditadura varguista. Naquela altura, o fascismo e o nazismo encontravam-se em plena consolidação na Itália e Alemanha. Vargas pleiteava junto a Roosevelt o reaparelhamento das forças armadas brasileiras e, ainda, a soberania nacional na produção de aço. Diante dessas metas e a hesitação estadunidense em fornecer o capital para implantação da siderúrgica nacional, associada ao arresto de cargueiro com armamento alemão em Gibraltar destinado ao Brasil, o mandatário brasileiro oscilava entre manter a neutralidade ou se aliar, como pronunciou em discurso oficial, aos “povos fortes”, no caso aqueles pertencentes ao eixo (em razão das vitórias que obtinham ao princípio da II Guerra).

Curiosamente, o momento atual é muito similar ao vivido há quase 90 anos atrás. A quebra dos acordos que sustentaram a relação entre as nações, desenhados ao término do conflito mundial está esgarçada. A fragmentação global tem caminhado para uma radicalização em que os interesses das nações, especialmente os representados pelos países líderes na economia, tecnologia e aparato militar, são colocados acima de qualquer tipo de cooperação.

A imagem do mandatário estadunidense empunhando a tábua das tarifas aplicadas a produtos de inúmeros países, no denominado dia da libertação, é emblemática para caracterizar o grau de fragmentação que a trajetória mundial assumiu. A intervenção estrangeira em territórios soberanos, ataques belicistas a países visando consolidar hegemonia regional, revisão de concessões estratégicas (por exemplo a retomada por parte do Panamá do canal que havia sido concedido a operadores chineses) e suspenção das exportações de insumos básicos para processos industriais (ácido sulfúrico, minerais críticos). Enfim, vivencia-se uma espécie de salva-se quem puder.

Nesse contexto emerge uma espécie de cobiça internacional sobre o Brasil, particularmente, aos seus recursos naturais, agrícolas e estrutura da matriz energética com potencial de oferecer acordos às nações amigas. Numa postura de não alinhamento automático, há uma real possibilidade do Brasil usar a seu favor tantos e tão diversos interesses.

Entraremos em um período eleitoral. É lamentável que pouco se comente entre os candidatos o aproveitamento do cenário favorável ao Brasil para construir suas soberanias, assim como Vargas conquistou dos EUA uma siderúrgica e modernos armamentos em troca da instalação de bases americanas no país. Atualmente, construir meios de pagamentos imunes ao Sistema Swift (pix dos Brics?), encontrar alternativas ao domínio das comunicações digitais (internet, satélites); melhorar a infraestrutura militar com transferência de tecnologia (reproduzir o acordo para a construção de caças Saab e parceria com a Embraer) e fortalecer a segurança energética e alimentar seriam ações centrais para uma estratégia de desenvolvimento soberano.

Após consecutivos adiamentos, em menos de 72 horas foi articulada a viagem do mandatário brasileiro para reunião com o congênere estadunidense. Após 3,5 horas, seguida por almoço e sem a tradicional coletiva de imprensa pós-conversações, denota que mesmo sem qualquer anúncio oficial de relevância, o tratamento dispensado ao Brasil por Trump destaca o país frente ao conjunto das demais nações.

Portanto, tornou-se crucial o posicionamento de negociar acordos com países e mercados, como foi o caso do Mercosul e União Europeia. A possibilidade de dentro de quatro anos o café brasileiro ingressar sem tarifas no mercado europeu, oferecerá grandes oportunidades de mercado, dinamizando o segmento no país. Tal exemplo se aplica aos mais de 500 mercados abertos, nos últimos quatro anos, para os produtos agropecuários brasileiros por intermédio da ação do Itamarati e do MAPA. 

Neste momento, existem conversações em andamento como com o EFTA (reúne Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein), Canadá, Índia e Emirados Árabes Unidos. Em todas as mercadorias de origem agropecuária e mineral dominam o conteúdo dos acordos da parte brasileira e, em contrapartida, os países da contraparte, signatários, oferecem produtos industriais, serviços e tecnologias que tornaram a economia brasileira mais eficiente e competitiva.

Sob o prisma de construção de soberanias no contexto da fragmentação mundial, negociando com inteligência os interesses nacionais diante da cobiça internacional, pode-se trazer ganhos significativos para o agronegócio café. O mundo não prescinde da bebida e, o Brasil, com as mais de 70 milhões de sacas esperadas para a safra 2026/27, precisa ter acesso ampliado aos mercados consumidores. Que inúmeros acordos sejam celebrados para que a perspectiva de construção da plataforma global do café se ancore definitivamente nos Cafés do Brasil. 

Celso Luis Rodrigues Vegro

Eng. Agr., MS, Pesquisador Científico do IEA

celvegro@sp.gov.br 

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