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T Ó P I C O : Café raro produzido em Minas alcança R$ 90 mil a saca e mira mercado de luxo

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Café raro produzido em Minas alcança R$ 90 mil a saca e mira mercado de luxo


Autor: Leonardo Assad Aoun

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Último comentário neste tópico em: 08/04/2026 11:44:47


Leonardo Assad Aoun comentou em: 08/04/2026 12:05

 

Café raro produzido em Minas alcança R$ 90 mil a saca e mira mercado de luxo

 

Luiz Paulo Dias Pereira Filho cultiva o Coffea eugenioides, espécie ancestral do arábica, que alcança R$ 90 mil a saca no mercado internacional

Por Michelle Valverde | Diário do Comércio

Café raro produzido em Minas alcança R$ 90 mil a saca e mira mercado de luxo

Foto: Divulgação/Arquivo pessoal

O cafeicultor de Minas Gerais, Luiz Paulo Dias Pereira Filho, sempre gostou de inovação e a novidade atual é a produção de um café raro, de altíssima qualidade e bastante valorizado no mercado de luxo. O Coffea eugenioides, espécie ancestral do arábica, é cultivado na Fazenda Rarus, em Carmo de Minas, no Sul de Minas Gerais. Com uma produção de duas sacas por hectare, o café tem fila de espera no mercado e, no ano passado, a saca de 60 quilos foi negociada a R$ 90 mil.

Conforme Pereira, considerado a primeira lenda do café especial do Brasil, com reconhecimento da Associação Brasileira de Cafés Especiais do Brasil (BSCA), e uma das seis em todo o mundo pela Alliance for Coffee Excellence (ACE), o Brasil tem condições de assumir o protagonismo no mercado de luxo do café, produzindo um grão raro, de cultivo exigente, mas de alto valor agregado. O cafeicultor é pioneiro no País a investir no Coffea eugenioides e promete posicionar o Brasil no mercado de luxo.

“Hoje, acho que no mundo, o café eugenioides é produzido comercialmente apenas por cinco produtores, conheço três, mas falo cinco para ter uma margem. Não é uma produção fácil pela produtividade baixa, hoje em torno de duas sacas por hectare. Mas, é um desafio que eu acho que o Brasil precisa dele. Precisamos mostrar que o País tem condições de produzir variedades que podem se encaixar no mercado de luxo”.

A exclusividade do café vem acompanhada de desafios significativos, principalmente em relação à produtividade e aos cuidados com a lavoura. Conforme Pereira, a produtividade do eugenioides é muito baixa, cerca de duas sacas por hectare, enquanto em uma lavoura tradicional do grão, é possível colher, em média, de 50 a 60 sacas por hectare. O cultivo também exige um cuidado individual e diário, já que a cultivar não passou por melhoramentos o que a torna extremamente sensível a pragas e doenças.

Luiz Paulo Dias Pereira Filho

Grão raro, que Luiz Paulo Dias Pereira Filho ganhou, é cultivado apenas em 5 hectares da Fazenda Rarus, em Carmo de Minas | Foto: Arquivo pessoal / Luiz Paulo Filho

“Na fazenda, são cinco hectares cultivados com o eugenioides e todos os dias vai uma pessoa na lavoura para cuidar. É uma lavoura que você não pode deixar entrar praga, porque ele é realmente muito suscetível a doenças, o café é geneticamente puro, ele é selvagem”.

Por outro lado, a baixa produtividade tem vantagens e é compensada pela altíssima qualidade e características únicas do grão, o que agrega valor ao produto. “O eugenioides é conhecido por sua baixa cafeína, o que o torna ideal para consumo noturno, e por seu sabor excepcionalmente doce e frutado. Como se produz muito pouco por planta, os frutos são absurdamente doces e saborosos. Eles são frutados, são cítricos. Essa particularidade é resultado da natureza da planta, que consegue transformar mais seiva em características no grão devido à menor quantidade de frutos”, disse Pereira.

O mercado para o grão é promissor e há grande interesse pelo café eugenioides. A primeira safra, colhida no ano passado, foi vendida para os Emirados Árabes, Arábia Saudita, Taiwan e França, e já há fila de espera para a safra deste ano. “Todos que compraram já querem repetir a compra”.

Pereira ganhou as sementes do eugenioides em 2017, durante uma visita à Fazenda Imaculada, na Colômbia. “Eles me deram a semente e me falaram que era uma das variedades mais raras do mundo. Sou a única pessoa para quem eles cederam as sementes. Eu trouxe e comecei a cultivar, só que eu não cultivava com esse olhar comercial, até mesmo porque eu não tinha noção do presente que eles tinham me dado. Em 2019, essa fazenda ficou mega famosa e eu resolvi produzir de forma comercial. O Brasil tem cafés bons, tem cafés maravilhosos, mas precisa ter um diamante e o eugenioides tem todo o potencial”.

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