T Ó P I C O : Um curso, uma escolha e um café que atravessou fronteiras
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Um curso, uma escolha e um café que atravessou fronteiras
Autor: Leonardo Assad Aoun
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Último comentário neste tópico em: 08/04/2026 11:33:16
Leonardo Assad Aoun comentou em: 08/04/2026 11:57
Um curso, uma escolha e um café que atravessou fronteiras
A partir de uma oportunidade apresentada pela Conexão Safra, o casal encontrou o ponto de virada que transformou tradição em inovação, conectando conhecimento, mercado e propósito para levar o café do Sítio Bull além das fronteiras capixabas
Por Rosimeri Ronquetti | Conexão Safra

O casal criou as marcas D’oro Bull e Faters. Foto: reprodução/Instagram
Natural de Domingos Martins, a contadora Alcione Braun, 41 anos, cresceu em meio à rotina do campo, na comunidade de Melgaço, filha de produtores rurais. Apesar da origem, seguiu um caminho diferente: incentivada pelo pai, deixou a zona rural para estudar e construiu carreira na área de projetos de engenharia e construção civil pesada, vivendo por anos em Vitória, capital do Espírito Santo.
Em 2022, a vida tomou um novo rumo ao conhecer o produtor rural Vagner Bull, 44 anos, natural de Itarana e representante da quarta geração de cafeicultores da família. O casal se casou no ano seguinte e passou a viver no Sítio Bull, na comunidade de Alto Jatibocas.
A virada para o universo dos cafés especiais começou de forma inesperada. Alcione recebeu uma newsletter da Conexão Safra com a divulgação de um curso de produção de cafés especiais, oferecido pelo Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), Campus Venda Nova do Imigrante, em parceria com o grupo Coffee Design.
“O Vagner já havia compartilhado comigo, por várias vezes, a vontade de fazer cafés finos e levar direto para o consumidor final. Resolvi, então, fazer a inscrição dele no curso.” As aulas aconteciam duas vezes por semana, à noite, durante dois meses. Para garantir que ele não desistisse, Alcione decidiu acompanhá-lo. “Eu levava meu computador e ficava trabalhando enquanto ele assistia às aulas”, relembra.
Mas a experiência acabou transformando também a trajetória dela. Já na aula inaugural, ao conhecer a estrutura do curso e o potencial do mercado de cafés especiais, o casal se encantou. “Quando entendemos o que é qualidade e o universo do café especial, vimos que havia uma grande oportunidade ali”, conta.
Durante o curso, eles levaram amostras da produção da propriedade para avaliação. Os resultados surpreenderam: os primeiros lotes alcançaram 84 e 86 pontos, pontuação considerada de café especial. A partir daí, veio a certeza de que poderiam investir no novo segmento.
Mesmo com limitações financeiras, decidiram avançar. Com apoio do professor Aldemar Polonini e negociação com fornecedores, adquiriram equipamentos de pós-colheita, como lavador e despolpador. Ainda durante a safra, instalaram a estrutura e iniciaram o processamento dos próprios cafés. Já no primeiro ano, conseguiram produzir lotes entre 83 e 84 pontos.
O passo seguinte foi a comercialização. Com orientação do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), criaram, em 2023, a primeira marca própria, a D’oro Bull. Pouco depois, lançaram também a Faters, voltada para maior volume de vendas.
A estreia no mercado aconteceu durante a Semana Internacional do Café, em 2023. Mesmo sem estrutura comercial, levaram cerca de 30 pacotes de café na mochila. O que era apenas uma experiência inicial se transformou em uma vitrine importante: foi ali que surgiram parcerias e os primeiros contatos comerciais.
Desde então, o crescimento foi gradual. Hoje, o casal vende cafés arábica e conilon para diversos estados brasileiros, como Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, além de atender cafeterias de vários municípios no Espírito Santo. As vendas são feitas principalmente de forma online, pelo Instagram.
A profissionalização também avançou dentro da propriedade. O Sítio Bull passou por investimentos em tecnologia, incluindo irrigação das lavouras e introdução de novos materiais genéticos, com foco em qualidade e produtividade.
Atualmente, o casal integra o programa Agro.BR, com o objetivo de expandir as vendas para o mercado internacional. “A gente quer levar nossos cafés para o Brasil e para o mundo”, afirma a produtora.
Já Alcione, que antes de assumir papel ativo no negócio participava apenas de forma pontual das atividades rurais, ajudando em períodos de colheita ou no plantio, hoje está à frente do projeto ao lado do marido, unindo a experiência administrativa à tradição familiar na cafeicultura.
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