T Ó P I C O : Café capixaba exporta mais conilon no bimestre, mas receita recua 16% com queda no preço
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Café capixaba exporta mais conilon no bimestre, mas receita recua 16% com queda no preço
Autor: Leonardo Assad Aoun
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Último comentário neste tópico em: 30/03/2026 11:47:39
Leonardo Assad Aoun comentou em: 30/03/2026 12:08
Café capixaba exporta mais conilon no bimestre, mas receita recua 16% com queda no preço
Dados do CCCV mostram que volume de conilon cresceu 13% em Jan–Fev/2026, mas gerou praticamente a mesma receita do bimestre anterior; arábica segue trajetória oposta, com preço médio de exportação no maior nível histórico
Por Stefany Sampaio | Folha Vitória

O Espírito Santo exportou 479.680 sacas de café no bimestre janeiro–fevereiro de 2026, com receita total de US$ 132,2 milhões. Os números representam recuo de 8% em volume e de 16% em receita em relação ao mesmo período de 2025, segundo o relatório mensal do Centro do Comércio de Café de Vitória (CCCV). A distância entre as duas quedas — maior em valor do que em quantidade revela o efeito direto da desvalorização do conilon sobre o desempenho exportador do estado.
O conilon respondeu por 75% do volume total embarcado no bimestre, com 359.835 sacas, alta de 13% sobre Jan–Fev de 2025. Em receita, porém, o crescimento foi de apenas 1%, totalizando US$ 92,5 milhões. A explicação está no preço médio de exportação: em fevereiro de 2026, a saca de conilon saiu do porto de Vitória a US$ 253,30, ante US$ 296,03 no mesmo mês de 2025, queda de 14,4% em dólares.
O arábica seguiu trajetória oposta. O preço médio de exportação subiu de US$ 358,38 em fevereiro de 2025 para US$ 373,66 em fevereiro de 2026, alta de 4,3%. No acumulado do bimestre, o arábica foi exportado a uma média de US$ 380,33 por saca, alta de 10% em relação ao mesmo período de 2025 (US$ 345,74) e o maior patamar médio para o bimestre de abertura de ano desde o início da série do CCCV, em 2023. O problema é que o volume caiu 41% no período, de 137.528 sacas para 81.289 sacas, o que limitou o impacto positivo do preço sobre a receita total.
Colômbia lidera, Turquia só quer arábica
A distribuição geográfica das exportações revela padrões de mercado que vão além do volume. No acumulado do bimestre, a Colômbia foi o principal destino do café capixaba, com 72.197 sacas, integralmente conilon. O dado é contraintuitivo: a Colômbia é um dos maiores produtores de cafés suaves do mundo, mas absorve conilon brasileiro para uso em blends industriais e em solúvel, prática comum entre países que exportam café de qualidade e importam robusta para composição interna.
A Turquia, 6º destino no bimestre com 39.520 sacas, apresentou perfil inverso: comprou exclusivamente arábica, sem registrar um único quilo de conilon. O país é o maior processador de café torrado da região e usa o arábica capixaba como base de misturas para mercados do Oriente Médio e Ásia Central. Reino Unido (57.655 sacas), Espanha (59.733 sacas) e México (46.449 sacas) concentraram-se em conilon.
A Indonésia ocupa o 8º lugar no bimestre com 20.288 sacas, adquiridas exclusivamente na forma de café solúvel. O país é o 3º maior produtor mundial de robusta, mas importa o industrializado capixaba para segmentos específicos de consumo – evidência de que o café solúvel do Espírito Santo encontrou nichos mesmo em mercados com forte base produtora local.
O segmento de café solúvel registrou as maiores retrações do bimestre. O volume exportado caiu 42%, de 67.008 sacas no bimestre de 2025 para 38.556 sacas em 2026. A receita recuou 52%, de US$ 18,3 milhões para US$ 8,8 milhões. A queda é desproporcional à do volume, o que indica que o preço médio do solúvel também cedeu passando de US$ 273,74 para US$ 228,19 por saca, recuo de 16,6% em dólares. A retração pode refletir a perda de competitividade do produto frente ao solúvel vietnamita e indonésio, que avançaram em mercados europeus durante o período de maior oferta de robusta asiático.
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