T Ó P I C O : Do café premium ao azeite, Orfeu aposta em novo negócio de luxo no Sul de Minas
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Do café premium ao azeite, Orfeu aposta em novo negócio de luxo no Sul de Minas
Autor: Leonardo Assad Aoun
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Último comentário neste tópico em: 03/03/2026 12:57:45
Leonardo Assad Aoun comentou em: 03/03/2026 13:20
Do café premium ao azeite, Orfeu aposta em novo negócio de luxo no Sul de Minas
Do café premium ao azeite, Orfeu aposta em novo negócio de luxo no Sul de Minas.
Por LIDE

Ricardo Madureira, CEO da Orfeu.(Foto: Marcelo Tercetti/Divulgação)
Após consolidar sua presença no mercado de cafés especiais, a Orfeu mira uma nova frente de negócios com estratégia de diversificação e premiumização: o azeite. Segundo a Bloomberg Línea, a produção ocorre no Sul de Minas Gerais, onde a empresa cultiva 65 hectares de oliveiras e tem potencial para produzir até 200 mil litros de azeite premium por ano.
Assim como ocorreu com o café, a incursão nas oliveiras foi estruturada ao longo de anos e só recebeu o “carimbo” da marca após validação de qualidade em concursos internacionais.
O projeto envolve desafios específicos. O conhecimento sobre a cultura no clima da região ainda está em desenvolvimento. A colheita depende de janelas climáticas estreitas, e o processamento precisa ocorrer poucas horas após a retirada das azeitonas para preservar a qualidade. São necessários cerca de dez quilos de azeitona para produzir um litro de azeite premium.
Segundo Ricardo Madureira, CEO da Orfeu, a operação busca retorno financeiro no longo prazo. “A gente não perde dinheiro na produção do azeite. Tivemos um investimento grande, que vai levar tempo para dar retorno, e continuamos investindo, mas a operação do dia a dia já é sustentável”, afirmou em entrevista.
Fabio Gianetti, diretor de marketing da empresa, descreve o negócio como uma operação de pequena escala, custos elevados e baixa previsibilidade de matéria-prima, além de uma curva de aprendizagem agronômica ainda em evolução. “Ainda não é uma operação que dá o payback do investimento todo, mas já é uma operação lucrativa de forma isolada, porque é um nicho, e o valor agregado é muito alto”, disse.
A estratégia remete ao início da atuação da marca nos cafés especiais. Criada em 2005 por Roberto Irineu Marinho e sua esposa, Karen, a Orfeu optou, no começo dos anos 2000, por migrar da produção de grãos commodity para cafés especiais. Nos primeiros anos, o projeto não era economicamente sustentável até atingir escala suficiente para sustentar o negócio.
Hoje, a empresa produz entre 35 mil e 40 mil sacas de café especial por ano, somando produção própria e compras de fazendas certificadas na mesma região. O grupo não divulga valores de investimento, faturamento ou lucro.
No caso do azeite, o projeto começou em 2009, com testes iniciais. A produção teve início em 2014, após a construção de lagar próprio para limpeza, moagem e prensagem das azeitonas. A marca Orfeu passou a ser aplicada ao azeite apenas em 2020, depois de premiações internacionais que validaram a qualidade do produto.
Atualmente, o azeite representa menos de 5% da operação da empresa. A expectativa, segundo Gianetti, é que em cinco a dez anos essa participação alcance entre 10% e 15%, considerando também o crescimento do café.
Madureira reconhece que não há cronograma definido para o payback do investimento agrícola e industrial. No curto prazo, a meta é sustentar a operação com margem e posicionamento premium. No longo prazo, o objetivo é estabilizar a produção, ganhar eficiência e ampliar participação no portfólio.
A estrutura instalada permitiria atingir até 20 mil litros anuais em cenário ideal, a partir de 200 toneladas de azeitonas. Neste ano, porém, a produção chegou a 5 mil litros, a partir de 50 toneladas, impactada por fatores climáticos e desafios no campo.
Para o CEO, o azeite seguirá menor que o café. “O café é o negócio Orfeu”, afirmou. O azeite, segundo ele, funciona “quase como se fosse uma boutique”: operação menor, de preço elevado e voltada ao topo da pirâmide.
Além do potencial financeiro, o azeite cumpre funções estratégicas: diversifica receitas em uma categoria de maior valor agregado, testa o potencial de uma nova cultura agrícola no Sudeste e reforça o posicionamento premium da marca.
Executivos afirmam que o mercado brasileiro já está maduro para aceitar o produto premium e seu custo. A recente crise global do azeite, com queda de produção na Europa e alta de preços, também reduziu a diferença entre importados e o azeite brasileiro premium, impulsionando a experimentação por parte dos consumidores.
Segundo Madureira, ainda há desafio de comunicação para demonstrar a qualidade do produto nacional. A comparação, afirma, deve ser feita com azeites europeus de mesmo patamar de qualidade e preço, além de considerar o frescor como diferencial competitivo.
A lógica de preço, segundo Gianetti, decorre da escolha por qualidade em vez de volume. A empresa abre mão de produtividade para colher e extrair no ponto considerado ideal, o que eleva custos e limita escala.
Para os próximos anos, o desafio será ampliar essa operação “boutique” sem comprometer qualidade reconhecida, margem operacional e a capacidade de educar o consumidor sobre o valor do produto. Madureira afirma ver o mercado com otimismo, apoiado na tendência de premiumização observada em setores como café, chocolate, cerveja e vinho no país.
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