T Ó P I C O : Safra de café 2026/27 deve crescer 10%
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Safra de café 2026/27 deve crescer 10%
Autor: Leonardo Assad Aoun
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Último comentário neste tópico em: 04/02/2026 15:52:09
Leonardo Assad Aoun comentou em: 04/02/2026 16:13
Safra de café 2026/27 deve crescer 10%
Avanço será puxado principalmente pelo café arábica

Foto: Divulgação
A produção de café no Brasil caminha para um novo ciclo de recuperação em 2026/27, com expectativa de crescimento de 10,1% em relação à temporada anterior. O avanço, estimado pelo Itaú BBA, será puxado principalmente pelo café arábica, cuja produção pode atingir 44,8 milhões de sacas — um salto de 18% frente à safra 2025/26.
Apesar das chuvas abaixo da média registradas em 2025, temperaturas mais amenas durante o período pré-florada contribuíram para um bom pegamento das flores, o que sustenta a projeção otimista. No caso do café robusta, embora a estimativa seja de leve recuo (-2%), a produção segue robusta nos estados do Espírito Santo e Bahia, apesar de alguns alertas sobre excesso de chuvas e risco fitossanitário.
O relatório do Itaú BBA destaca que o clima não foi o único fator favorável. A relação de troca entre café e fertilizantes permaneceu positiva ao longo de 2025, incentivando investimentos em tratos culturais. Esse ambiente favoreceu a formação de uma base sólida para o próximo ciclo produtivo, impactando diretamente na produtividade das lavouras.
No mercado, 2025 foi um ano marcado por forte volatilidade. A seca no início do ano elevou os preços, que recuaram com a confirmação de uma safra maior. A imposição de uma tarifa de 50% pelos Estados Unidos sobre o café brasileiro voltou a pressionar o mercado para cima, mas os preços cederam novamente com a normalização climática e a melhora na perspectiva da nova safra.
Segundo o Itaú BBA, o cenário global também tende à expansão. A produção mundial de café deve subir para 188 milhões de sacas, com aumento da oferta no Brasil e em outros países produtores como Vietnã, Colômbia e Indonésia. O consumo global, por outro lado, avança de forma moderada, chegando a 176 milhões de sacas. Com isso, o superávit global sobe para 11,3 milhões de sacas — o dobro da temporada anterior, mas ainda considerado frágil diante dos estoques apertados.
Mesmo com o crescimento projetado, o início de 2026 será desafiador. A disponibilidade interna de café no Brasil deve continuar restrita até a entrada efetiva da nova safra, principalmente no primeiro trimestre. De acordo com dados do Cecafé, as exportações entre agosto e dezembro de 2025 caíram 23% em relação ao ano anterior, com destaque para os embarques aos EUA, que despencaram 53% durante o período de tarifas extras.
O balanço de oferta e demanda no mercado interno reflete esse cenário. Com estoques finais muito baixos — estimados em apenas 0,5 milhão de sacas ao fim de 2025/26 —, a pressão sobre a nova safra é ainda maior. O consumo doméstico, por sua vez, tende à estabilidade, apesar de sinais de retração pontual devido aos altos preços do produto nos últimos meses.
A expectativa de recuperação também se traduz nos mercados futuros. As curvas de preços, que vinham invertidas ao longo de 2025, iniciaram 2026 mais “flat”, indicando menor risco climático percebido. Com a normalização das chuvas e a valorização do real frente ao dólar, os preços para vencimentos longos se aproximaram dos contratos de curto prazo.
O cenário para a cafeicultura brasileira em 2026/27 é mais positivo do que nos últimos anos. A recuperação da produção, especialmente do arábica, aliada a uma conjuntura internacional mais estável e à melhora das relações de troca com insumos, oferece um novo fôlego para produtores. No entanto, o mercado permanece sensível a variações climáticas e geopolíticas, exigindo atenção contínua à gestão de risco e estratégias de comercialização.
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