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T Ó P I C O : Café quente e copo descartável: entenda o risco dos microplásticos

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Café quente e copo descartável: entenda o risco dos microplásticos


Autor: Leonardo Assad Aoun

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Último comentário neste tópico em: 23/01/2026 13:36:46


Leonardo Assad Aoun comentou em: 23/01/2026 13:55

 

Café quente e copo descartável: entenda o risco dos microplásticos

 

Créditos: depositphotos.com / EdZbarzhyvetsky

Créditos: depositphotos.com / EdZbarzhyvetsky

Tomar café quente em copos plásticos descartáveis faz parte da rotina de muita gente em 2025, especialmente em escritórios, padarias e cafeterias. A prática parece prática e inofensiva, mas pesquisas recentes indicam que esse hábito pode estar associado à ingestão de microplásticos, partículas minúsculas que se soltam do material em contato com líquidos em alta temperatura. Esse cenário tem chamado a atenção de pesquisadores e profissionais de saúde, que passaram a observar com mais cuidado o impacto desse consumo repetido ao longo do tempo.

O que são microplásticos e por que o café em copos plásticos entra nessa discussão?

Microplásticos são pequenos fragmentos de materiais plásticos, geralmente com menos de 5 milímetros, muitas vezes invisíveis a olho nu. Eles podem se originar da degradação de objetos maiores, como embalagens, ou ser produzidos já em tamanho reduzido, como ocorre com alguns cosméticos e fibras sintéticas. No caso dos copos descartáveis, o contato com a bebida quente favorece o desprendimento dessas partículas para o líquido consumido.

Pesquisas publicadas em periódicos internacionais de toxicologia e segurança de materiais têm mostrado que a combinação de calor, tempo de contato e tipo de plástico influencia diretamente a quantidade de microplásticos liberada. Copos totalmente plásticos tendem para ser mais suscetíveis a esse processo, enquanto recipientes de papel com revestimento interno plástico podem liberar um volume menor de partículas, embora não estejam totalmente livres do problema. O consumo diário de café quente em copos descartáveis, quando somado ao longo de meses ou anos, representa uma exposição contínua que ainda está sendo avaliada em detalhes.

Microplásticos no café quente: o que os estudos já observaram?

A expressão microplásticos no café passou a aparecer com mais frequência na literatura científica depois que pesquisadores começaram a simular situações comuns de consumo. Em experimentos de laboratório, líquidos quentes foram colocados em copos descartáveis por períodos relativamente curtos, semelhantes ao tempo em que uma pessoa leva para terminar uma xícara de café. Em muitos desses testes, a quantidade de partículas plásticas liberadas aumentou de forma significativa em comparação com bebidas frias.

Um ponto em comum entre diferentes estudos é a influência da temperatura. Em geral, quanto mais quente a bebida, maior a tendência de o material plástico expandir, amolecer e depois se contrair, criando microfissuras e desprendendo fragmentos. Essa liberação não é visível e não altera o sabor do café, o que faz com que passe despercebida pela maioria das pessoas. Estimativas apontam que o consumo diário de bebidas quentes em copos plásticos pode levar, ao longo de um ano, à ingestão de centenas de milhares de partículas microscópicas, número que reforça o interesse em estratégias de redução de exposição.

Até o momento, não há consenso científico sobre os efeitos exatos dos microplásticos no corpo humano, mas alguns pontos já são conhecidos. Estudos detectaram essas partículas no sangue, no pulmão, no intestino e em outros tecidos, o que mostra que elas conseguem atravessar barreiras biológicas importantes. Pesquisadores avaliam se essa presença está relacionada a processos inflamatórios, alterações celulares ou interferências hormonais, entre outros possíveis desdobramentos.

Apesar de muitas respostas ainda estarem em aberto, especialistas utilizam o chamado princípio da precaução: diante de um risco potencial e de uma exposição constante, recomenda-se reduzir o contato sempre que possível. No caso do café em copos plásticos, o problema não está em uma xícara isolada, mas na repetição diária durante anos. Assim, o foco atual não é criar alarme, e sim incentivar escolhas que diminuam o acúmulo dessas partículas no organismo e no meio ambiente.

Como diminuir o contato com microplásticos ao tomar café?

A adoção de alternativas simples pode reduzir de forma significativa o contato com microplásticos durante o consumo de café e outras bebidas quentes. O uso de recipientes mais estáveis em altas temperaturas é uma das principais recomendações de pesquisadores que estudam o tema. Em vez de mudanças radicais, o caminho apontado costuma ser o de ajustes graduais na rotina, priorizando materiais menos suscetíveis à liberação de partículas.

Entre as medidas mais citadas estão:

  • Priorizar copos ou canecas de vidro, cerâmica ou inox para consumo de bebidas quentes, tanto em casa quanto no trabalho.
  • Levar uma caneca reutilizável para cafeterias e ambientes corporativos que permitem o uso de recipientes próprios.
  • Evitar bebidas muito quentes em copos plásticos descartáveis, aguardando alguns minutos para redução da temperatura quando não houver outra opção.
  • Dar preferência a copos de papel com revestimento interno em situações em que o descarte seja inevitável.
  • Não reutilizar copos plásticos descartáveis para novos cafés ou líquidos quentes.

Em ambientes de trabalho, pequenas mudanças institucionais podem ter impacto coletivo. Empresas podem, por exemplo:

  1. Incentivar que funcionários mantenham canecas pessoais na mesa ou na copa.
  2. Disponibilizar copos reutilizáveis próximos às máquinas de café.
  3. Reduzir gradualmente a compra de copos plásticos descartáveis, substituindo por opções mais seguras para bebidas quentes.

O café quente precisa sair do copo plástico?

O debate atual não aponta para a eliminação do café da rotina, mas para uma revisão do tipo de recipiente usado. As evidências disponíveis indicam que a combinação entre bebida quente e copo plástico descartável aumenta a presença de microplásticos na xícara, ainda que o impacto exato sobre a saúde esteja em estudo. Diante disso, ganha força a ideia de que vale a pena escolher materiais mais adequados sempre que possível.

Ao adotar canecas de vidro, cerâmica ou inox e reduzir o uso de descartáveis, a pessoa diminui a exposição a partículas plásticas e contribui também para a redução de resíduos no meio ambiente. O hábito de tomar café permanece, mas passa a ser acompanhado de um olhar mais atento para o que cerca a bebida: o material do copo, a temperatura e a frequência de consumo. Em um cenário em que os microplásticos já foram encontrados em vários cantos do planeta, essas escolhas cotidianas tendem a ganhar cada vez mais espaço nas discussões sobre saúde e qualidade de vida.

FAQ sobre café e consumo no dia a dia

1. Tomar café filtrado, espresso ou coado na prensa francesa muda algo em relação aos microplásticos?
Em suma, o tipo de preparo (filtrado, espresso ou prensa francesa) interfere mais no sabor, na concentração de cafeína e de óleos do que na quantidade de microplásticos. O principal fator de risco para a liberação de partículas é o material do recipiente em que a bebida quente é servida ou armazenada, e não o método de extração em si. Entretanto, quando o café é passado diretamente em recipientes plásticos finos ou mantido por muito tempo em garrafas térmicas com partes internas plásticas, o contato prolongado com o calor pode aumentar a liberação de fragmentos. Portanto, sempre que possível, é preferível usar recipientes de vidro, cerâmica ou inox, independentemente do método de preparo escolhido. Então, a escolha do coador ou da máquina pode ser feita com base no gosto pessoal, enquanto a atenção maior recai sobre o copo ou a caneca em que o café será consumido.

2. A cafeína em si tem alguma relação com microplásticos ou com o risco associado ao uso de copos plásticos?
A cafeína não está relacionada diretamente à liberação de microplásticos nem aumenta quimicamente esse risco. O que influencia a migração de partículas plásticas é, sobretudo, a temperatura, o tempo de contato e o tipo de material do copo. Entretanto, bebidas muito quentes com alta concentração de cafeína costumam ser ingeridas rapidamente e em grandes quantidades em ambientes como escritórios, onde o uso de copos descartáveis é frequente. Portanto, o “pacote” hábito de consumo + tipo de copo é mais relevante do que a presença de cafeína em si para essa discussão. Então, a recomendação é ajustar o material do recipiente e a temperatura da bebida, sem necessidade de focar a preocupação na cafeína quando o assunto é microplástico.

3. Utilizar cápsulas de café (como nas máquinas domésticas e corporativas) aumenta a exposição a microplásticos?
As cápsulas de café podem conter componentes plásticos, alumínio e outros materiais, e parte do debate atual envolve justamente o contato da água quente com essas superfícies internas. Em muitos modelos, o café passa rapidamente pela cápsula, o que tende a reduzir o tempo de contato em comparação ao café deixado estacionado em um copo plástico. Entretanto, estudos ainda investigam o quanto de partículas pode ser liberado pelas cápsulas em diferentes condições de uso. Portanto, uma estratégia prática é combinar o uso de cápsulas com xícaras de vidro, cerâmica ou inox e evitar deixar o café pronto parado por muito tempo em reservatórios plásticos. Então, equilibrar conveniência e cuidado com o recipiente final é uma forma de reduzir a exposição desnecessária.

4. Existe alguma temperatura “mais segura” para tomar café em relação à liberação de microplásticos?
Em suma, quanto mais alta a temperatura da bebida, maior tende a ser a liberação de microplásticos a partir de recipientes plásticos, porque o material se expande e amolece com o calor. Não há um valor de temperatura universalmente definido como “seguro”, mas sabe-se que líquidos próximos ao ponto de fervura geram um estresse maior no material plástico. Entretanto, mesmo em temperaturas moderadas, o contato repetido e diário com copos descartáveis representa uma exposição contínua. Portanto, uma medida simples é evitar consumir o café assim que sai fervendo, deixando a bebida esfriar levemente antes de beber, sobretudo se não houver alternativa ao plástico. Então, combinar temperatura um pouco mais baixa com recipientes mais estáveis reduz, em conjunto, o potencial de liberação de partículas.

5. O consumo de café descafeinado muda algo em termos de segurança ou de microplásticos?
O fato de o café ser descafeinado não interfere na liberação de microplásticos, pois o processo está ligado ao material e ao calor, não à presença de cafeína. O que pode mudar, entretanto, é o padrão de consumo: algumas pessoas bebem mais xícaras de café descafeinado ao longo do dia, por acreditarem ser uma opção mais leve, o que aumenta a frequência do contato com copos descartáveis se esse for o recipiente adotado. Portanto, o cuidado deve ser o mesmo para café comum ou descafeinado: priorizar canecas duráveis e reduzir o uso de descartáveis sempre que possível. Então, a escolha entre cafeinado e descafeinado deve seguir critérios de saúde individual (como sensibilidade à cafeína), enquanto a atenção ao tipo de copo permanece igual nos dois casos.

6. Há diferença entre tomar café em casa e no trabalho em relação à exposição a microplásticos?
Muitas pessoas usam canecas de vidro, cerâmica ou inox em casa, o que tende a reduzir a exposição a microplásticos durante o consumo de café. Já no trabalho, é comum o uso de copos plásticos descartáveis próximos às máquinas de café, aumentando a frequência de contato com o plástico aquecido. Entretanto, cada ambiente tem suas particularidades: algumas empresas já adotam canecas reutilizáveis ou copos de papel com revestimento interno, enquanto em certas casas ainda predominam descartáveis por praticidade. Portanto, o ideal é observar onde o consumo é mais frequente e propor mudanças graduais, como manter uma caneca pessoal no escritório ou na mochila. Então, pequenas adaptações em cada contexto (casa e trabalho) somam-se ao longo do tempo e reduzem significativamente a exposição global.

Fonte: Correio Braziliense

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