T Ó P I C O : ‘Corredor Minas-Rio’ abre concessões de ferrovias em 2026 com aposta de ser nova rota do café
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‘Corredor Minas-Rio’ abre concessões de ferrovias em 2026 com aposta de ser nova rota do café
Autor: Leonardo Assad Aoun
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Último comentário neste tópico em: 19/01/2026 11:11:23
Leonardo Assad Aoun comentou em: 19/01/2026 11:32
‘Corredor Minas-Rio’ abre concessões de ferrovias em 2026 com aposta de ser nova rota do café
Malha ferroviária de 740 km que conecta Minas a Rio de Janeiro terá nova administração para ampliar transporte e exportação

Foto: Divulgação VLI
A concessão de trechos ferroviários para a iniciativa privada vai ter início em 2026 com a oferta do “corredor Minas-Rio”, uma malha já existente -mas subutilizada- de 740 km de extensão e que conecta as cidades mineiras de Arcos, Lavras e Varginha até os municípios fluminenses de Barra Mansa e Angra dos Reis.
O traçado faz parte atualmente da malha da FCA (Ferrovia Centro-Atlântica), mas está quase inoperante e demanda investimentos para ampliações.
O modelo de autorizações e o interesse público
O trecho será retomado pelo governo Lula (PT) e oferecido por meio de um “chamamento público”, um modelo inédito em que a administração pública oferece a malha ao mercado, condicionando essa operação a investimentos, mas sem exigir pagamentos à União (outorga).
Com esse modelo de autorizações, o governo federal pretende atrair investimentos privados para reaproveitar ferrovias existentes que foram abandonadas. O plano prevê um contrato de 99 anos de exploração ferroviária. Se o chamamento público atrair mais de um interessado, o governo escolhe a proposta que seja mais atrativa ao interesse público.
A concessão total da FCA, feita 30 anos atrás, acaba em setembro de 2026. Com a proximidade do fim do contrato, parte desses trechos de mais de 7 mil km da ferrovia será devolvida à União. Por isso, o governo tem pressa em dar um destino a traçados que serão retomados, além de viabilizar a prorrogação do contrato atual de parte da ferrovia com a VLI, que administra a FCA.
O corredor Minas-Rio foi escolhido porque reúne uma combinação de fatores que, na avaliação do Ministério dos Transportes, tem potencial de atrair diferentes operadores de ferrovia.
O trecho aponta demanda real de carga, tem estudos técnicos prontos, inspeções realizadas e uma decisão política de priorizar o projeto. Passou também a fazer parte do PPI (Programa de Parcerias de Investimentos).
Na prática, isso significa que ele passa a ser tratado como prioridade política e institucional, sendo acompanhado diretamente pela Casa Civil da Presidência da República. Para o investidor, é mais um sinal de segurança para o investimento.
A aposta na diversificação de cargas
A diversificação de cargas, além do possível interesse turístico para transporte de passageiros, é uma das principais apostas. Os estudos já realizados apontam que o trecho pode se converter em uma nova rota de exportação para o café nacional.
O sul de Minas é a principal região produtora do país, responsável por mais de um terço do café brasileiro. A ferrovia permitiria ligar essa produção diretamente ao litoral fluminense, pelo porto de Angra dos Reis, uma alternativa logística ao escoamento tradicional feito por rodovias e portos mais congestionados, como o de Santos.
Além do café, o corredor pode viabilizar a importação de fertilizantes e o transporte de cargas gerais. Atualmente, a malha inteira da FCA transporta 32 milhões de toneladas por ano, sendo a maior parte dessa carga formada por minério de ferro e insumos da siderurgia.
Já no corredor Minas-Rio, a maior parte do volume envolve calcário, clínquer, dolomita e insumos industriais, com movimentação estimada em cerca de 1,7 milhão de toneladas em 2025. Pelos cálculos do governo, essa carga pode ultrapassar 2,5 milhões de toneladas anuais nas próximas décadas.
Potencial de crescimento e o futuro das ferrovias
O governo acredita que a oferta do corredor Minas-Rio como primeira autorização ferroviária pode se tornar um marco para o setor. O projeto vai funcionar como um teste do modelo para outras ferrovias que enfrentam problemas de subutilização ou fim de contrato.
Ao todo, a carteira do setor ferroviário tem a expectativa de movimentar mais de R$ 139,7 bilhões de investimentos em obras, além de R$ 516,5 bilhões em operações dos trechos.
Além do chamamento público de trechos, o planejamento do governo federal está concentrado em oito traçados entre 2026 e 2027. A publicação de editais e as datas dos leilões estão distribuídas nos dois próximos anos e incluem obras totalmente novas, além de revitalização de trechos degradados e integração de corredores ferroviários e portos.
Conteúdo distribuído por Folhapress
Fonte: Diário do Comércio
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