T Ó P I C O : É verdade que beber café ajuda a raciocinar melhor? Nutricionista responde
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É verdade que beber café ajuda a raciocinar melhor? Nutricionista responde
Autor: Leonardo Assad Aoun
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Último comentário neste tópico em: 09/01/2026 13:52:30
Leonardo Assad Aoun comentou em: 09/01/2026 14:34
É verdade que beber café ajuda a raciocinar melhor? Nutricionista responde
Especialista ouvida pela GQ Brasil ajuda a entender o efeito da cafeína no foco, na atenção e no raciocínio
Por Redação GQ
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Seu cérebro só acorda depois de um cafézinho? Não é só impressão sua — Foto: Getty Images
Se você não consegue começar o dia sem uma xícara de café e tem a sensação de que o pensamento “engrena” melhor depois dela, saiba que isso não é só impressão. Há, sim, um fundo de verdade nessa percepção e a explicação está na ação da cafeína no cérebro.
Para entender melhor essa relação, conversamos com Thainara Gottardi, nutricionista clínica, esportiva e estética, que explica como o café influencia o raciocínio, quais cuidados são necessários e por que a forma de consumo faz diferença.
Café ajuda a pensar melhor?
Segundo a especialista, o café pode favorecer o desempenho mental porque a cafeína atua diretamente no sistema nervoso central. “Ela bloqueia os receptores de adenosina, que estão ligados à sensação de fadiga. Com isso, há melhora da atenção, do foco e da velocidade de raciocínio”, explica Thainara.
Ainda assim, ela faz um alerta importante: o café não faz milagres. “A cafeína age potencializando um cérebro que já está nutrido e descansado. Ela lapida um bom resultado, mas não substitui a base da saúde mental, como alimentação adequada, sono de qualidade, controle do estresse e exercício físico.”
Muita gente associa o raciocínio mais rápido ao hábito do café em si, mas, na prática, o efeito está ligado à cafeína. “O que melhora atenção, foco e raciocínio é a cafeína, que é o composto estimulante presente naturalmente no grão”, explica a nutricionista.
Por isso, esse estímulo não é exclusivo do café. O mesmo efeito pode ser reproduzido pela cafeína isolada ou sintética, usada em suplementos, medicamentos e bebidas energéticas. O mecanismo de ação está na substância ativa, não necessariamente na bebida.
Sendo assim, apesar de conter antioxidantes e outros compostos bioativos benéficos à saúde, o café descafeinado praticamente não influencia o raciocínio. "Quando falamos de desempenho cognitivo, o efeito é quase nulo, porque a cafeína, principal responsável pelo estímulo cerebral, está ausente”, conclui Thainara.
Café com açúcar, adoçante ou puro: faz diferença?
Faz, e bastante. De acordo com Thainara, adicionar açúcar ao café pode atrapalhar o desempenho cognitivo ao longo do tempo. “O café com açúcar provoca um pico rápido de glicose no sangue, seguido de uma queda. Isso pode gerar sonolência, lentidão mental e até aumento da fome.”
Do ponto de vista neurológico, o açúcar pode atrapalhar a concentração. “O açúcar aumenta a energia de forma momentânea, mas essa elevação é seguida por uma queda brusca de glicose”, explica Thainara. Essa oscilação pode causar cansaço mental, dificuldade de foco e variações na atenção.
Já o café sem açúcar, ou com adoçante, tende a manter o efeito da cafeína mais estável. Como não há esse impacto glicêmico, o foco dura mais e há menor chance daquela "queda de energia" depois, de acordo com a nutricionista.
Ela ressalta, no entanto, que o adoçante não traz benefícios nutricionais. “Ele não interfere no efeito da cafeína, mas, quando colocamos tudo na balança, o café puro costuma ser a opção mais vantajosa.”
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A cafeína estimula o sistema nervoso central, bloqueia a fadiga e pode melhorar foco e velocidade de raciocínio. Desde que sono, alimentação e dose estejam em dia. — Foto: Getty Images
Qual é a quantidade segura de café por dia?
A recomendação geral é de até 400 mg de cafeína por dia, o que equivale, em média, a 4 ou 5 xícaras de café coado ao longo do dia. “Essa quantidade costuma ser segura e funcional para a maioria das pessoas”, diz a nutricionista.
Alguns grupos, porém, precisam de mais cautela. Gestantes, pessoas com ansiedade, gastrite, refluxo ou problemas de sono devem consumir menos, porque a cafeína pode intensificar sintomas como agitação, taquicardia, insônia e desconforto gástrico. Nesses casos, a orientação individualizada é fundamental.
Além da dose, o horário também importa. “Evitar café após as 16h é uma estratégia importante, já que a cafeína pode prejudicar a qualidade do sono e impactar diretamente a saúde cerebral.”
Já tomar o café em jejum tem seus prós e contra. “Em jejum, a cafeína é absorvida mais rapidamente, o que pode aumentar o alerta e o foco mental no curto prazo. Por outro lado, esse efeito pode vir acompanhado de desconfortos. Em algumas pessoas, há aumento do cortisol, ansiedade, tremores e irritação gástrica, porque o café sem alimento estimula mais o estômago.”
Por isso, ela reforça que a decisão deve ser individual. O café em jejum tende a ser melhor tolerado por quem dorme bem, não tem ansiedade e não apresenta sensibilidade gastrointestinal.
Por que algumas pessoas passam mal com café?
Nem todo mundo responde da mesma forma à cafeína e a genética ajuda a explicar isso. “Existe uma enzima chamada CYP1A2, responsável por metabolizar a cafeína no fígado”, explica a nutricionista. Variações genéticas determinam se a pessoa metaboliza a cafeína de forma rápida ou lenta.
“Quem metaboliza rápido costuma sentir mais os benefícios cognitivos, como foco e atenção, com menos efeitos colaterais. Já os metabolizadores lentos mantêm a cafeína circulando por mais tempo, o que aumenta a chance de ansiedade, irritabilidade e até confusão mental.”
Fonte: GQ Bem-Estar
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