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T Ó P I C O : Carne, soja e café: os setores beneficiados com o acordo Mercosul-UE

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Carne, soja e café: os setores beneficiados com o acordo Mercosul-UE


Autor: Leonardo Assad Aoun

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Último comentário neste tópico em: 09/01/2026 13:47:34


Leonardo Assad Aoun comentou em: 09/01/2026 14:23

 

Carne, soja e café: os setores beneficiados com o acordo Mercosul-UE

 

Acordo pode ampliar exportações brasileiras de carne, soja, café e celulose, reduzir tarifas e incentivar modernização do agro, enquanto aumenta a diversificação de mercados

Fernanda Pressinott, da CNN Brasil, São Paulo

Carne bovina pode ser beneficiada pelo acordo UE-Mercosul

Carne bovina pode ser beneficiada pelo acordo UE-Mercosul  • . REUTERS/Amanda Perobelli

O possível acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, que pode ser ratificado ainda este ano, promete impactar diretamente setores estratégicos do agronegócio brasileiro, abrindo espaço para expansão de exportações e maior competitividade no mercado europeu.

Carne bovina: cortes premium em alta

A carne bovina é um dos principais destaques do agronegócio brasileiro na União Europeia. Nos 11 primeiros meses de 2025, os embarques para o bloco europeu alcançaram US$ 820,15 milhões, um crescimento de 83,2% em relação ao mesmo período de 2024. A UE aparece atrás apenas de China e Estados Unidos como destino em valor, refletindo a demanda por cortes premium e produtos de maior valor agregado.

Segundo a ABIEC (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes), “o acordo com a UE pode trazer previsibilidade ao setor e reduzir a dependência de mercados concentrados”, disse a entidade.

Soja: diversificação de destinos

O complexo soja é outro setor estratégico beneficiado pelo acordo. A União Europeia foi o terceiro maior destino da soja brasileira em 2025, com embarques próximos de US$ 6 bilhões, atrás apenas de Irã e Indonésia. Apesar de uma leve retração em relação a 2024, o mercado europeu oferece estabilidade e potencial de crescimento para produtos de maior valor agregado, como farelo e óleo de soja.

A Abiove (Associção Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais) avaliou que “reduzir barreiras é crucial para estimular o mercado interno e agregar valor à nossa indústria”, ressaltando que o tratado pode favorecer a industrialização do complexo soja ao estimular demanda por farelo para proteína animal e fortalecer cadeias ligadas à soja.

Café verde: liderança consolidada

No café verde, a UE se mantém como principal destino das exportações brasileiras, com US$ 6,43 bilhões exportados entre janeiro e novembro de 2025 — US$ 1,22 bilhão a mais que no mesmo período de 2024. O acordo deve reduzir tarifas e facilitar a entrada de produtos brasileiros em um mercado que valoriza qualidade e sustentabilidade.

Segundo Marcos Matos, diretor‑geral do Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil), “o nosso maior concorrente em café solúvel, o Vietnã, já tem tarifa zero. Então, o acordo pode tornar nosso solúvel mais competitivo na Europa”, disse.

Celulose: segundo maior mercado

Mesmo com uma queda de 12,9% nas exportações totais de celulose, a União Europeia manteve-se como o segundo maior destino, respondendo por 21,1% do total exportado, com receitas de US$ 1,98 bilhão. A redução de tarifas prevista no acordo pode aumentar ainda mais a competitividade do setor brasileiro.

Frango e açúcar: setores estratégicos

A carne de frango também se beneficia do mercado europeu, que foi o sexto maior destino em 2025, com exportações de US$ 457,99 milhões. Já o açúcar, produto sensível para a UE, poderá ganhar espaço com a redução gradual de tarifas, apesar das salvaguardas impostas para proteger produtores locais.

Impacto do acordo

Com a ratificação do acordo UE–Mercosul, estão previstas reduções e eliminação de tarifas em produtos estratégicos, como carnes, café, soja, celulose, açúcar, etanol e suco de laranja. Especialistas avaliam que o tratado pode estimular modernização, rastreabilidade e práticas sustentáveis, além de reduzir a dependência de mercados concentrados como a China.

Marcos Jank, do Insper Agro, afirma: “O acordo é superinteressante para os dois blocos, mas exige pragmatismo. O Brasil precisa transformar exigências em vantagem competitiva e usar a diversificação de mercados como estratégia central do agro.”

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