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T Ó P I C O : Agricultura 'redescobre' o pau-brasil, que faz sombra para cacau e café

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Agricultura 'redescobre' o pau-brasil, que faz sombra para cacau e café


Autor: Leonardo Assad Aoun

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Último comentário neste tópico em: 01/04/2025 10:27:34


Leonardo Assad Aoun comentou em: 01/04/2025 10:31

 

Agricultura 'redescobre' o pau-brasil, que faz sombra para cacau e café

 

Árvore que deu nome ao Brasil ajuda melhorar a oferta de nitrogênio no solo

Por Patrick Cruz — João Neiva, Aracruz, Viana e Domingos Martins (ES)/Globo Rural

Exemplar adulto de pau-brasil de plantio em área de lavoura

Exemplar adulto de pau-brasil de plantio em área de lavoura — Foto: Julio Bittencourt

pau-brasil, a árvore que deu nome ao país — e que muita gente acreditava que já estivesse extinta —, passa por uma fase de redescoberta, e um dos responsáveis por isso é o setor agrícola. Produtores rurais têm feito plantios da espécie em áreas de lavouras comerciais para aumentar a produtividade dessas culturas e dar a elas mais condições de enfrentar problemas climáticos, como a falta de chuvas.

Na Bahia, agricultores têm plantado pau-brasil para fazer sombra para as lavouras de cacau, um sistema conhecido como cabruca, que conserva a umidade do solo e aumenta os níveis de nutrientes. No Espírito Santo, a árvore tem ajudado a evitar a perda de grãos nas plantações de café.

Oferta de nutriente

O pau-brasil ajuda especialmente a melhorar a oferta de nitrogênio, um dos nutrientes essenciais na agricultura.

"Os resultados do pau-brasil na agricultura são fantásticos. O agricultor pode ser um grande aliado na proteção do meio ambiente", diz Edmond Ganem, que tem plantado pau-brasil em seus 70 hectares de lavouras de cacau em Ilhéus (BA).

Ganem começou em 2004 a testar o uso de pau-brasil para fazer sombra para as árvores de cacau.

Plantio de pau-brasil (centro) no entorno de lavoura de café (à esquerda) em Aracruz (ES) — Foto: Julio Bittencourt

Plantio de pau-brasil (centro) no entorno de lavoura de café (à esquerda) em Aracruz (ES) — Foto: Julio Bittencourt

A ideia surgiu a partir de conversas com o pesquisador Dan Lobão, do Centro de Pesquisas do Cacau (Cepec). Também professor da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), Lobão tem sido chamado de “pai da conservação produtiva”. O pesquisador doou as primeiras 300 mudas que Ganem utilizou em suas lavouras.

Ao todo, o agricultor plantou 3 mil mudas da árvore nativa. A ideia era criar um ambiente em que as plantações não tivessem tantos altos e baixos de um ano para outro.

"Eu priorizo minhas árvores de cacau. Com o pau-brasil, elas ganham mais resiliência. Minha produtividade poderia até ser mais alta em um ano ou outro, mas o risco de uma queda brusca no ano seguinte, em caso de seca, também é muito maior", comenta Ganem.

No Espírito Santo, os produtores plantam a árvore no entorno dos cafezais. Isso forma uma espécie de barreira natural contra o vento, o que reduz a queda de grãos em dias de ventania.

As iniciativas nos cafezais capixabas ainda são experimentais, ressalva Douglas Muniz Lyra, agrônomo aposentado pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), que tem acompanhado o desenvolvimento de alguns desses projetos. "Mas o resultado é evidente. As plantas de café próximas ao pau-brasil são mais vistosas", afirma.

Muda de pau-brasil — Foto: Julio Bittencourt

Muda de pau-brasil — Foto: Julio Bittencourt

Ameaça de extinção

Nativo da Mata Atlântica e hoje ameaçado de extinção, o pau-brasil vive em áreas próximas à costa que se estendem do Rio Grande do Norte ao Rio de Janeiro. A árvore — fonte de uma resina que, até o século XIX, foi a principal matéria-prima para a produção de pigmento vermelho para tecidos — foi o primeiro produto que os exploradores portugueses extraíram das matas brasileiras após a chegada da frota de Pedro Álvares Cabral, em 1500.

A derrubada sem controle quase fez a árvore desaparecer por completo, restringindo a espécie a plantios ornamentais em ambientes como escolas e praças.

"Até recentemente, era muito pouco o que se sabia sobre o pau-brasil. Nós avançamos muito de uns anos para cá, graças a um esforço coletivo de universidades, institutos de pesquisa, órgãos de fiscalização e até 'archeteiros'", diz o pesquisador Haroldo de Lima, do Jardim Botânico do Rio, citando a atuação dos fabricantes de arcos de violino, hoje a principal destinação industrial da madeira.

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