T Ó P I C O : Debate sobre fazendas públicas passa por necessidade de gestão e metas
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Debate sobre fazendas públicas passa por necessidade de gestão e metas
Autor: Leonardo Assad Aoun
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Último comentário neste tópico em: 06/08/2024 15:11:11
Leonardo Assad Aoun comentou em: 06/08/2024 14:59
Debate sobre fazendas públicas passa por necessidade de gestão e metas
“Se não for o governo, quem vai investir na melhoria do feijão ou dos hortifrútis? ”, diz pesquisador
Por Fernanda Pressinott — São Paulo e Tietê (SP)/Globo Rural
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Se privatizadas, área de fazendas públicas poderia somar aos cofres públicos, porém há dúvida se a pesquisa de alimentos sem interesse comercial continuaria, dizem economistas — Foto: Thiago de Jesus
Quando se discute a privatização das fazendas públicas de São Paulo, alguns economistas apontam que a valorização das terras onde elas estão poderia acrescentar algumas centenas de milhões aos cofres do Estado. Entretanto, uma questão é levantando pelos cientistas, representantes do agronegócio e até mesmo, pelos economistas: quem faria a pesquisa de alimentos sem grande interesse econômico?
“Se não for o governo, quem vai investir na melhoria do feijão ou dos hortifrútis? ”, questionou Marcos Antônio Machado, pesquisador científico do Instituto Agronômico (IAC).
Essa também é a preocupação de Pedro Afonso Gomes, presidente do Conselho Regional de Economia da Segunda Região do Estado. “Não sou de forma alguma a favor da estatização, mas sabemos que 73% da alimentação que está na mesa dos brasileiros vem da agricultura familiar, assentamentos e outros tipos de organização. A falta de cientistas e locais públicos tornaria inviável a pesquisa de alguns desses alimentos”.
Cientistas também apontam que haveria menor independência nas pesquisas privadas em comparação com as públicas. “Sem pressão, o cientista concursado pode manifestar o resultado da pesquisa, mesmo que ela afete um grupo, ou até que o resultado seja ruim”, disse a presidente da Associação de Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC), Helena Dutra Lutgens.
Pedro de Camargo Neto, ex-presidente da Sociedade Brasileira Rural (SRB) e um dos líderes mais respeitados do setor, lembra o momento crucial pelo qual passa o agronegócio. “O valor desses hectares parece muito, mas é nada para o orçamento do Estado de São Paulo. Além disso, este é um momento em que se deveria investir ainda mais na pesquisa pública, diante da crise climática”, afirmou.
“As variedades que hoje existem não serão capazes de garantir produtividade no futuro, porque o clima já mudou, e é o governo que tem que direcionar a pesquisa de alimentos importantes para a população e para a economia local”, disse. “É a iniciativa pública que vai direcionar o melhor capim para o pequeno pecuarista ou quais variedades de hortifrúti plantar no cinturão verde do Estado com o clima mais seco e quente ”, acrescentou.
Apesar de defensores das fazendas públicas, Gomes e Camargo Neto afirmam que, para funcionar bem, elas precisariam de contratos de gestão. Isto é, os gestores dessas unidades têm que ter metas de produção de pesquisa, determinado desempenho em favor da população e de prestar contas das finanças.
Ao Valor, o secretário da Agricultura, Guilherme Piai, disse que parcerias com empresas privadas podem garantir mais eficiência na pesquisa. Para ele, o problema do setor no Estado não está na infraestrutura de locais, e sim nos salários dos pesquisadores que são “uma vergonha” e precisam ser recompostos, após anos sem reajustes.
O salário inicial de um pesquisador em São Paulo é de pouco mais de R$ 5 mil, enquanto a Fapesp, por exemplo, paga R$ 14,3 mil e a Fiocruz, R$ 11,8 mil para os iniciantes. Na Embrapa, a remuneração passa de R$ 15 mil, comparou o secretário.
Piai afirmou ainda que prepara um projeto de lei para enviar à Assembleia Legislativa do Estado solicitando aumento a essas carreiras. Novos concursos públicos neste momento, porém, estão descartados.
Segundo a APqC, o déficit de mão de obra é de 70% em São Paulo. O Estado tem preenchidos 2.175 cargos, entre pesquisadores e cargos de apoio, mas ainda faltam 8 mil pessoas para atender as necessidades. Somente na área agrícola, faltam 200 pesquisadores e mais de 3,7 mil funcionários de apoio.
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