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T Ó P I C O : Café regenerativo aumenta produtividade em até 46% nas montanhas de Serra Negra

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Café regenerativo aumenta produtividade em até 46% nas montanhas de Serra Negra


Autor: Leonardo Assad Aoun

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Último comentário neste tópico em: 10/06/2026 16:24:22


Leonardo Assad Aoun comentou em: 10/06/2026 16:37

 

Café regenerativo aumenta produtividade em até 46% nas montanhas de Serra Negra

 

Sítio São Geraldo faz parte de projeto de sustentabilidade realizado em parceria entre Syngenta e JDE Peet's

Por Maria Emília Zampieri — Serra Negra (SP) | Globo Rural

Roberto Marchi está produzindo mais na mesma área plantada e com maior qualidade

Roberto Marchi está produzindo mais na mesma área plantada e com maior qualidade — Foto: Rafael Lopes / Divulgação

O produtor Roberto Marchi, que cultiva café em 19 hectares nas montanhas de Serra Negra (SP), recebeu a reportagem da Globo Rural com um grande sorriso no rosto. Ele tem tido motivos para essa alegria: na véspera da visita, a região de Serra Negra, conhecida como Circuito das Águas, conquistou Indicação Geográfica que reforça os atributos do café produzido na Serra da Mantiqueira.

Os resultados obtidos por Marchi no sítio São Geraldo também têm sido motivo de festa. Após dois anos participando de projeto Café Sustentável, promovido por uma parceria entre as empresas Syngenta e JDE Peet's, que se uniram em prol da cafeicultura regenerativa, ele está produzido mais na mesma área plantada, com plantas com maior resiliência climática e grãos que atingem maior pontuação.

“Tudo isso graças à adoção de novas práticas regenerativas, que conferiram maior saúde ao solo e às plantas”, explica o agrônomo Fernando Sarreta, responsável pela consultoria técnica no projeto.

Ele explica que as mudanças incluíram adoção de plantas de cobertura para o solo, nematicidas, bioestimulantes e micro-organismos benéficos, análises precisas e profundas do solo, treinamento técnico e acompanhamento de perto nas propriedades.

Durante a visita da Globo Rural ao sítio São Geraldo, foram apresentados os resultados parciais do projeto Café Sustentável, tanto na propriedade, quanto na média das 30 fazendas integrantes da iniciativa, que somam 90 hectares plantados e estão distribuídas pelo Sul de Minas Gerais, Cerrado Mineiro e Mogiana Paulista.

No São Geraldo, chama a atenção o aumento de 46% na produtividade e redução dos ovos de nematóides que afetam saúde e produção dos cafezais. Já os cafés especiais produzidos obtiveram média de 89 pontos, índice considerado elevado no mercado de cafés de qualidade.

“A localização em região montanhosa torna os resultados ainda mais relevantes. Nessas áreas, a mecanização é limitada, os custos operacionais costumam ser maiores e, historicamente, os investimentos em construção de solo são menores quando comparados a outras regiões produtoras”, avalia Roberto.

Agrônomo Fernando Sarreta, responsável pela consultoria técnica no projeto — Foto: Rafael Lopes / Divulgação

Agrônomo Fernando Sarreta, responsável pela consultoria técnica no projeto — Foto: Rafael Lopes / Divulgação

Solo saudável reflete no desenvolvimento das plantas

Durante a visita à propriedade, uma das demonstrações mais visuais ocorreu em trincheiras abertas para observação do sistema radicular. Na área conduzida dentro do projeto regenerativo, Sarreta relatou dificuldade para escavar devido à grande quantidade de radicelas distribuídas ao longo do perfil do solo, “o que significa uma grande conquista para a saúde da planta, diz”. Já na área convencional, as raízes estavam mais concentradas próximas ao tronco dos cafeeiros e em menor volume.

A estimativa apresentada durante a visita indicou que o volume radicular na área regenerativa era pelo menos 100% superior ao encontrado na área padrão.

As diferenças também puderam ser observadas visualmente nas plantas, que apresentavam folhas mais escuras, maior vigor vegetativo, melhor crescimento dos ramos e maior uniformidade do estande.

Resultado expressivo no controle de nematoides

Considerado um dos principais problemas fitossanitários da cafeicultura brasileira, o controle de nematoides também chama a atenção no programa Café Sustentável, e em especial no São Geraldo.

Sarreta mostrou raízes afetadas por galhas provocadas pelo nematoide Meloidogyne exigua, estrutura que compromete a absorção de nutrientes e favorece a entrada de doenças de solo, como o fusário.

Resultados apurados referentes ao programa em 2024/25 apontaram redução de 96% na presença de ovos no sítio São Geraldo, 71% no Sul de Minas Gerais, 70% no Cerrado e 64% na Mogiana.

“Entre as tecnologias utilizadas estão produtos biológicos capazes de formar biofilmes protetores nas raízes, dificultando o desenvolvimento dos nematoides e aumentando a resistência das plantas”, explica o agrônomo Fernando Sarreta.

Ele ressalta que o objetivo não é eliminar completamente o nematoide, mas manter sua população abaixo do nível capaz de causar prejuízos econômicos.

Mais produtividade e cafés premiados

Os ganhos não ficaram restritos à saúde do solo. A área conduzida sob manejo regenerativo alcançou produtividade 46% superior em comparação à área de referência. Os números apresentados indicaram produtividade de 58,5 sacas por hectare em uma condição e rendimento que chegou a 117 sacas por hectare em talhões específicos.

Na variedade Arara, uma das mais valorizadas da cafeicultura brasileira, a expectativa da propriedade é alcançar cerca de 120 sacas por hectare na safra em andamento.

A melhoria do ambiente produtivo também refletiu na qualidade da bebida. Roberto Marchi já vinha realizando um trabalho consistente de pós-colheita, mas o aperfeiçoamento das práticas elevou a média dos lotes para 89 pontos, com registros acima de 90 pontos em alguns talhões.

O desempenho permitiu que a propriedade conquistasse posições de destaque em concursos de cafés especiais, aproximando-se de padrões observados em competições internacionais como o Cup of Excellence.

Vista do Síto São Geraldo, em Serra Negra (SP) — Foto: Rafael Lopes / Divulgação

Vista do Síto São Geraldo, em Serra Negra (SP) — Foto: Rafael Lopes / Divulgação

Retorno econômico reforça viabilidade

Além dos ganhos agronômicos, Fernando Sarreta destacou os resultados financeiros positivos. Os cálculos apresentados durante a visita apontaram lucratividade próxima de R$ 25 mil por hectare, já descontados os custos de implantação e manejo ao longo de dois anos.

Para Marchi, “os resultados demonstram que investir em saúde do solo, diversidade biológica e tecnologias regenerativas pode representar uma alternativa mais eficiente do que expandir áreas de cultivo, especialmente em regiões de montanha onde a disponibilidade de terras é limitada”.

A expectativa agora é concluir as análises do segundo ano do projeto para validar os resultados observados em campo e aprofundar o entendimento sobre os impactos do manejo regenerativo na cafeicultura brasileira.

Syngenta e JDE Peet's (que produz os cafés Caboclo, Pilão e L’Or, entre outros) se uniram no projeto Café Sustentável em prol de uma preocupação com o futuro do café brasileiro. No final de 2026 serão apresentados os resultados finais da iniciativa, a partir de dados dos dois anos de atividades nas 30 fazendas selecionadas.

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