T Ó P I C O : Após perder filha em acidente, família transforma sonho em marca de café especial na Alta Mogiana
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Após perder filha em acidente, família transforma sonho em marca de café especial na Alta Mogiana
Autor: Leonardo Assad Aoun
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Último comentário neste tópico em: 05/06/2026 20:37:17
Leonardo Assad Aoun comentou em: 05/06/2026 20:56
Após perder filha em acidente, família transforma sonho em marca de café especial na Alta Mogiana
Projeto idealizado por universitária morta em acidente com ônibus deu origem a negócio familiar de café especial em São José da Bela Vista

Arquivo Pessoal
O aroma do café produzido pela família Espanhol, entre São José da Bela Vista e Ribeirão Corrente, na região da Alta Mogiana, passou a carregar um significado que vai além da tradição agrícola. O que durante décadas foi comercializado como commodity ganhou identidade própria e se transformou em uma marca inspirada no sonho de uma jovem estudante.
Juliana Espanhol, então com 19 anos, cursava Administração e acreditava que o café produzido pela família poderia alcançar diretamente o consumidor final. A ideia era criar uma marca própria, agregando valor ao produto cultivado na propriedade. O projeto, no entanto, ainda estava no papel quando a estudante morreu em fevereiro de 2025, em um acidente envolvendo um ônibus universitário e um caminhão na rodovia Waldir Canevari, entre Nuporanga e São José da Bela Vista.
Sonho retomado
Meses após a tragédia, a mãe de Juliana, Lídia Maria Neves Espanhol, decidiu dar continuidade ao projeto idealizado pela filha. O que começou como uma homenagem rapidamente se transformou em um novo desafio para toda a família.
Sem experiência no mercado de cafés especiais, os familiares buscaram capacitação, participaram de cursos e procuraram orientação técnica para estruturar o negócio. O apoio do Sebrae foi fundamental para transformar a proposta em uma empresa voltada à comercialização de café torrado e moído.
Segundo especialistas, a estratégia de agregar valor à produção permite reduzir os impactos da volatilidade dos preços do café e fortalece toda a cadeia produtiva regional, gerando oportunidades para diferentes segmentos ligados ao setor.
Café especial
Durante o processo de desenvolvimento da marca, a família recebeu uma descoberta que mudou completamente sua visão sobre a própria produção. Após avaliação técnica, o café cultivado na propriedade alcançou 83 pontos na classificação sensorial, índice suficiente para ser enquadrado como café especial.
Até então, os produtores comercializavam os grãos sem diferenciação, sem saber que possuíam características valorizadas pelo mercado. A classificação revelou atributos que colocam o produto em um segmento de maior valor agregado.
Foi nesse contexto que surgiu a JujuCoffee, marca criada em homenagem ao apelido de Juliana. Além de representar uma nova fonte de renda para a propriedade, o negócio passou a valorizar a origem do café e a história por trás da produção.
Legado familiar
Hoje, toda a família participa da empresa. Lídia, o marido Marcos, o filho Pedro e a nora Fernanda acompanham as etapas da produção, da colheita à divulgação da marca em eventos e feiras.
Entre os próximos projetos está a adaptação de uma kombi para funcionar como uma cafeteria móvel, permitindo levar o café para diferentes cidades e apresentar ao público as características dos cafés especiais produzidos na região.
Para especialistas em agronegócio, histórias como a da família Espanhol refletem um movimento crescente no campo, impulsionado por novas gerações que apostam em inovação, diferenciação e produtos de nicho para ampliar a rentabilidade das pequenas propriedades.
Mais do que uma marca, a JujuCoffee se tornou a materialização de um sonho interrompido precocemente, mas que continua produzindo resultados. O projeto idealizado por Juliana transformou-se em negócio, renda complementar e uma forma de manter viva sua memória.
Fonte: CBN Ribeirão Preto
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