T Ó P I C O : CAFÉ: Nova COB pode redefinir a linguagem da qualidade no Brasil
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CAFÉ: Nova COB pode redefinir a linguagem da qualidade no Brasil
Autor: Leonardo Assad Aoun
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Último comentário neste tópico em: 31/05/2026 21:19:43
Leonardo Assad Aoun comentou em: 31/05/2026 19:53
A Nova COB: a mais importante atualização da Classificação Oficial Brasileira do Café das últimas décadas | Por Prof. Flávio Borém
A Classificação Oficial Brasileira do Café (COB) está passando pela mais importante revisão técnica e regulatória das últimas décadas.
A revisão da Classificação Oficial Brasileira para café grão cru foi iniciada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) em resposta à necessidade de atualização e modernização do padrão oficial de classificação dos cafés brasileiros. Ao longo desse processo, o Ministério contou com a colaboração de especialistas, instituições de pesquisa e representantes da cadeia produtiva, consolidando uma construção técnica participativa. Os trabalhos tiveram início em 2016 e ganharam maior intensidade a partir de 2019.
Para conduzir essa iniciativa, o MAPA constituiu um Grupo de Trabalho (GT) formado por Auditores Fiscais Federais Agropecuários e colaboradores externos convidados, entre eles o pesquisador e professor da Universidade Federal de Lavras (UFLA), Flávio Meira Borém, além do especialista em classificação e comercialização de café Francisco Barbosa Lima e outros profissionais com reconhecida atuação no setor cafeeiro brasileiro.
Segundo Elton Massarollo, Auditor Fiscal Federal Agropecuário e coordenador do Grupo de Trabalho, a proposta foi construída a partir de uma ampla base técnica e científica.
“As proposições da Nova COB resultam de um extenso trabalho técnico construído de forma colaborativa e fundamentado em dados, estudos e discussões com diferentes segmentos da cadeia cafeeira. O objetivo foi construir uma normativa capaz de fortalecer a identidade, a qualidade e a competitividade dos cafés brasileiros.”
O objetivo da revisão é modernizar um sistema concebido para uma realidade muito diferente daquela vivida atualmente pelo café brasileiro. A atual Instrução Normativa nº 08, de 2003, desempenhou papel fundamental para a organização do setor, mas já não representa plenamente as demandas contemporâneas da produção, da indústria, do comércio, da pesquisa, dos mercados internacionais e dos consumidores.
Mais do que uma atualização normativa, a Nova COB propõe uma nova lógica de classificação desenvolvida especificamente para a realidade do café brasileiro. A metodologia de avaliação física e sensorial proposta não possui paralelos no mundo e foi concebida para contemplar toda a diversidade dos cafés produzidos no Brasil, abrangendo diferentes espécies do gênero Coffea e toda a amplitude de qualidades presentes na produção nacional.
Entre os principais avanços apresentados oficialmente pelo MAPA durante o Workshop “Nova COB Café em Grão”, realizado em Brasília, em 07 de maio de 2026, destacam-se:
• simplificação da estrutura de classificação;
• substituição do sistema de equivalência de defeitos por avaliação percentual em massa;
• ampliação e modernização dos defeitos físicos considerados;
• nova abordagem para defeitos graves;
• redução da amostra de trabalho de 300 g para 100 g;
• unificação da classificação sensorial para cafés arábica e canéfora;
• criação de cinco categorias sensoriais: Especial, Fino, Superior, Comercial e Inferior;
• introdução da avaliação descritiva e afetiva da bebida;
• adoção de escala de pontuação de 0 a 100 pontos;
• inclusão de critérios de rastreabilidade e rotulagem;
• maior alinhamento com avanços científicos e com as demandas contemporâneas dos mercados nacional e internacional;
• fortalecimento da proteção ao consumidor e da fiscalização agropecuária.
Outro aspecto relevante é que a Nova COB deixa de ser um sistema centrado exclusivamente na identificação de defeitos e passa também a considerar atributos positivos da bebida. Essa mudança aproxima a classificação oficial das transformações observadas na cafeicultura brasileira ao longo das últimas décadas, especialmente da crescente valorização da qualidade e da diferenciação dos cafés.
A construção da proposta foi apoiada por um amplo conjunto de dados obtidos a partir da avaliação de 461 amostras de café provenientes dos principais estados produtores do país, complementadas por estudos estatísticos conduzidos pela Universidade Federal de Lavras (UFLA) e por consultas a diferentes segmentos da cadeia produtiva.
Para Hugo Caruso, Diretor do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal (DIPOV), a atualização da COB representa um avanço importante para a comunicação e a transparência em toda a cadeia do café.
“A atualização da COB amplia a capacidade de comunicação entre os diferentes agentes da cadeia produtiva, proporcionando maior transparência nas negociações e mais segurança para os processos de fiscalização e comercialização do café.”
A proposta representa um avanço relevante para produtores, cooperativas, exportadores, indústria, classificadores, pesquisadores, comerciantes e consumidores.
Mais do que uma mudança normativa, a Nova COB busca construir uma linguagem técnica mais moderna, transparente, objetiva e coerente com a diversidade, a complexidade e a qualidade do café brasileiro contemporâneo.
Karina Fontes Coelho Leandro, Coordenadora-Geral da Coordenação-Geral de Gerenciamento e Estratégia (CGGE), destaca que a proposta também representa um importante avanço institucional para o futuro da regulação do setor.
“A Nova COB representa uma evolução importante do ambiente regulatório do café brasileiro. O processo seguirá as etapas previstas de participação social e transparência, permitindo que a sociedade acompanhe e contribua para a construção do novo padrão oficial.”
A proposta normativa seguirá os procedimentos regulatórios previstos pelo MAPA, incluindo os mecanismos formais de participação social, garantindo transparência e ampla oportunidade de contribuição dos diferentes segmentos envolvidos.
O café brasileiro mudou profundamente nas últimas décadas. A Nova COB representa um passo importante para que o sistema oficial de classificação acompanhe essa evolução e continue contribuindo para a valorização, a identidade e a competitividade dos cafés do Brasil.
Prof. Flávio Meira Borém
Departamento de Engenharia Agrícola – UFLA
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