T Ó P I C O : Rumo dos preços do café é incerto, apesar de aumento da produção no Brasil
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Rumo dos preços do café é incerto, apesar de aumento da produção no Brasil
Autor: Leonardo Assad Aoun
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Último comentário neste tópico em: 21/05/2026 11:51:03
Leonardo Assad Aoun comentou em: 21/05/2026 12:08
Rumo dos preços do café é incerto, apesar de aumento da produção no Brasil
Para analistas, crescimento da colheita não é suficiente para aliviar o aperto entre oferta e demanda no mundo
Por Raphael Salomão — Santos (SP) | Globo Rural
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Lavoura de café na Bahia: Conab estima que a produção brasileira do grão crescerá 17% neste ano — Foto: Tony Oliveira/CNA
A safra de café do Brasil deve crescer neste ano, mas não o suficiente para aliviar o aperto entre oferta e oferta e demanda no mundo. A avaliação é de integrantes da cadeia produtiva, que participaram na quarta-feira (20/5) do Seminário Internacional do Café, em Santos (SP).
“Vivemos um cenário de muita incerteza, em que é impossível traçar qualquer cenário. Isso em um ambiente de mudanças climáticas e crise geopolítica”, afirmou Celso Vegro, pesquisador do Instituto de Economia Agrícola de São Paulo (IEA), à margem do evento.
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) atualiza suas estimativas para a produção brasileira de café nesta quinta-feira. Na estimativa anterior, a estatal projetou colheita de 66,1 milhões de sacas, ou 17,1% a mais do que em 2025.
Consultorias privadas apontam para uma produção ainda maior, que pode passar das 70 milhões de sacas. A perspectiva de uma safra robusta é vista como fator de pressão sobre as cotações nas bolsas internacionais.
Na bolsa de Nova York, o contrato do café arábica para julho fechou em baixa de 0,68% ontem, a US$ 2,6830 por libra-peso. No acumulado de uma semana, o contrato teve queda de 4,42%, de acordo com o Valor Data. Em um mês, a desvalorização é de 6,74%.
Na avaliação de Carlos Augusto Rodrigues de Melo, presidente da Cooperativa Regional dos Cafeicultores em Guaxupé (Cooxupé), “o Brasil precisa produzir 70 milhões de sacas, senão vamos perder espaço” no mercado. “Esperamos uma boa safra em qualidade e quantidade”, acrescentou, também em entrevista durante o seminário.
Melo considera que os preços atuais estão em bons níveis, embora voláteis. Segundo ele, há pouco café no mercado, o que dá margem para especulação.
Na indústria de café, a ordem é cautela, disse Pavel Cardoso, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic). Segundo ele, as empresas repassaram para o varejo parte da queda recente nos preços. Mas a volatilidade está gerando “tensão” entre compradores e vendedores.
“Se faz cobertura longa de estoques e o preço cai, machuca as margens. Se faz uma cobertura curta e o preço sobe, fica descoberto. E tem a preocupação com o El Niño. A safra de 2026 é potencialmente a primeira para recomposição dos estoques”, disse.
Vinicius Estrela, da Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA), reiterou a preocupação. “O café é cultura de longo prazo e temos que tomar decisões de curto prazo com custo mais alto e incerteza na comercialização.”
A despeito das perspectivas de crescimento da oferta no Brasil, Eduardo Carvalhaes, do Escritório Carvalhaes, disse não ver, pelo menos até o momento, espaço para uma queda significativa nos preços. “Na cabeça dos grandes compradores, o café vai continuar caindo, porque a safra vai ser grande. E, mesmo com essa queda toda, ainda está US$ 2,70 [em Nova York]. [Mas] O equilíbrio entre produção e consumo é precário e não tem estoque”, afirmou à margem do evento.
Para Vegro, do IEA, a entrada da safra nova no mercado deve até pressionar as cotações, mas só no curto prazo. “O consumo cresceu de tal ordem, com oferta reduzida, que a oferta maior agora não compensa esse desarranjo. E o custo logístico vai consumir parte da rentabilidade”, acrescentou o pesquisador.
No ano passado, os exportadores de café tiveram um custo extra de R$ 66,1 milhões em função de ineficiências nos portos, segundo cálculos do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé). Para Eduardo Heron, diretor técnico do Cecafé, a preocupação para este ano aumenta.
“No segundo semestre, com um grande volume para embarcar e a mesma infraestrutura, posso ter um prejuízo ainda maior”, afirmou Heron. Ele acrescentou que a guerra no Oriente Médio e o fechamento do Estreito de Ormuz são fatores de risco para toda a cadeia, já que trazem perdas ao comércio exterior.
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