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T Ó P I C O : Café brasileiro terá que provar origem para manter competitividade no novo comércio com a União Europeia

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Café brasileiro terá que provar origem para manter competitividade no novo comércio com a União Europeia


Autor: Leonardo Assad Aoun

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Último comentário neste tópico em: 13/05/2026 12:22:37


Leonardo Assad Aoun comentou em: 13/05/2026 12:43

 

Café brasileiro terá que provar origem para manter competitividade no novo comércio com a União Europeia

 

Por Ana Gusmão | Compre Rural

Café brasileiro terá que provar origem para manter competitividade no novo comércio com a União Europeia

Foto: Compre Rural

Acordo Mercosul União Europeia amplia oportunidades, mas nova régua europeia deve exigir mais rastreabilidade, governança e comprovação socioambiental da cadeia cafeeira.

O café brasileiro já tem mercado, qualidade reconhecida e presença consolidada na Europa. Mas a próxima disputa não será apenas por preço, volume ou qualidade do grão. Será por confiança. Em um ambiente europeu cada vez mais orientado por rastreabilidade, due diligence e controle de cadeias produtivas, produtores, cooperativas, armazéns, exportadores, torrefadores e indústrias precisarão provar, com dados e documentos, a origem e a conformidade socioambiental do café. O alerta é da especialista em ESG, conselheira de Administração e vice-presidente da Sustentalli, Eliana Camejo.

Segundo ela, esse é o ponto que parte da cadeia ainda pode estar subestimando. Investir em ESG não significa apenas fazer relatório, aderir a uma pauta reputacional ou responder a uma tendência de mercado. Para o café, ESG passa a significar capacidade de preservar acesso comercial, reduzir risco para compradores europeus, agregar valor ao produto e evitar que uma boa produção seja fragilizada por falta de evidência.

Mesmo empresas e produtores que já exportam para a União Europeia podem precisar elevar o nível de comprovação. A questão não é começar do zero, mas acompanhar uma régua que está ficando mais exigente. O comprador europeu tende a perguntar cada vez mais de onde veio o café, em que área foi produzido, quem participou da cadeia, se há regularidade ambiental, se houve desmatamento após o marco regulatório, como os lotes foram segregados, quais documentos sustentam essas informações e quem governa esses dados, explica Eliana Camejo.

A pressão tem base regulatória. O Regulamento Europeu Antidesmatamento, conhecido como EUDR, inclui o café entre os produtos sujeitos a exigências de rastreabilidade e comprovação de que não estão associados a desmatamento. Segundo a Comissão Europeia, a norma passará a ser aplicada em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médios operadores e em 30 de junho de 2027 para micro e pequenos operadores. Na prática, importadores europeus precisarão demonstrar diligência devida, e essa exigência tende a descer para produtores, cooperativas, armazéns, beneficiadores, transportadoras e exportadores brasileiros.

“O café brasileiro já é competitivo, mas a nova pergunta do mercado europeu não será apenas sobre qualidade. Será sobre prova. Quem conseguir demonstrar origem, rastreabilidade, regularidade ambiental e governança da cadeia tende a ganhar confiança. Quem tratar ESG como discurso, e não como sistema de controle, pode perder valor justamente em um momento de abertura comercial”, afirma Eliana Camejo, especialista em ESG, conselheira de administração e vice-presidente do Conselho de Administração da Sustentalli.

Jornalista responsável: Lourenço Marchesan

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