T Ó P I C O : Do campo à xícara, plantação de café cresce mais de 1.000% em três anos em Roraima e projeta cenário promissor
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Do campo à xícara, plantação de café cresce mais de 1.000% em três anos em Roraima e projeta cenário promissor
Autor: Leonardo Assad Aoun
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Último comentário neste tópico em: 14/04/2026 21:53:58
Leonardo Assad Aoun comentou em: 14/04/2026 22:19
Do campo à xícara, plantação de café cresce mais de 1.000% em três anos em Roraima e projeta cenário promissor
Segundo o Iater, o que começou com tímidos 3,5 hectares hoje já se espalha por quase 41 hectares de terras produtivas

Atualmente, o café Robusta Amazônico ocupa 31,5 hectares em Roraima, consolidando-se como a principal variedade cultivada no estado. Foto: Nilzete Franco/FolhaBV
O aroma do café, presente no cotidiano de milhões de brasileiros, ganha um significado ainda mais simbólico nesta terça-feira (14), quando é celebrado o Dia Mundial do Café. Em Roraima, a data acompanha um movimento que vai além da xícara: a plantação do grão cresceu mais de 1.000% em três anos e projeta um cenário promissor para a produção local.
Segundo dados do Instituto de Assistência Técnica e Extensão Rural (Iater), o que começou com tímidos 3,5 hectares hoje já se espalha por quase 41 hectares de terras produtivas. Um avanço que não é apenas numérico, mas representa diversidade para o agronegócio e uma nova oportunidade de renda para quem vive da terra.
“Com a parceria intensa que a gente tem com a Embrapa, Universidades e outros parceiros do Estado, a gente foi visualizando que o café é possível de ser trabalhado em Roraima, mesmo com experiências ainda tímidas, como nas comunidades indígenas, a exemplo da Mangueira, em Alto Alegre, que já cultiva há mais de 20 anos, e da comunidade do Kawuê, onde o café Imeru já ganhou prêmio nacional. A partir disso, despertou também o interesse de empresários e, há cerca de três anos, passamos a visitar propriedades e identificar potencial produtivo, como em viveiros na região amazônica“, afirmou o presidente do Iater, Marcelo Pereira.
Antes associado a regiões de clima mais frio e altitude elevada, o café passou a ganhar espaço em Roraima a partir do desenvolvimento de variedades adaptadas às condições locais. Conforme Pereira, o Robusta Amazônico é o que mais tem se popularizado entre as plantações, uma vez que a espécie tem materiais genéticos mais resistentes, é economicamente viável e precisa apenas do uso correto de técnicas e tecnologias.
Marcelo Pereira, presidente do Iater. Foto: Nilzete Franco/FolhaBV
Atualmente, o café Robusta Amazônico ocupa 31,5 hectares em Roraima, consolidando-se como a principal variedade cultivada no estado. Já as culturas de Conilon e Arábica somam, juntas, 10,9 hectares. Ao todo, a cafeicultura roraimense reúne 98.700 pés de café, distribuídos entre 57 produtores rurais.

Potencial econômico e desafios no campo
Além do crescimento da área plantada, o café tem chamado atenção pelo potencial de rentabilidade, especialmente entre agricultores familiares. Segundo Marcelo, a produção pode atender o consumo local e ainda abrir espaço para exportação.
“Em Roraima, a produção de 50 hectares já era suficiente para o consumo interno. E a gente sabe que tem uma longa demanda, uma larga demanda para esse processo de exportação. E aí o café, considerando que é um commodities, e o preço dele é baseado no dólar, então a gente ganha com isso, independente de como esteja no Brasil, mas a gente ganha no processo de venda, tanto interno como externo”, explicou o presidente do Iater.
Apesar do cenário positivo, a atividade ainda enfrenta desafios estruturais. A logística de escoamento, a distância dos grandes centros consumidores, a necessidade de infraestrutura e o acesso à tecnologia são entraves apontados no setor. O custo inicial para implantação das lavouras e o tempo até a primeira colheita, que pode chegar a 18 meses, também exigem planejamento dos produtores.

Mesmo assim, as perspectivas são consideradas otimistas. A expectativa é de que a produtividade alcance até 100 sacas por hectare, com potencial de geração de renda significativa no campo.
“A nossa meta é que, no máximo, um ano, a gente tenha pelo menos 120 hectares implementadas dentro do estado de Roraima, de forma tecnológica, e que a gente leve uma cultura que esses produtores da agricultura familiar tenha segurança ganhe o sustento”, finalizou Marcelo.
Uma outra expectativa é que, com o avanço da produção, o café roraimense percorra todo o caminho: da lavoura à mesa do consumidor, fortalecendo a cadeia produtiva local e agregando valor ao que é produzido no estado.
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