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T Ó P I C O : Café tenta reação após tombo histórico e abre em alta com mercado ainda sensível à safra brasileira

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Café tenta reação após tombo histórico e abre em alta com mercado ainda sensível à safra brasileira


Autor: Leonardo Assad Aoun

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Último comentário neste tópico em: 08/04/2026 14:18:06


Leonardo Assad Aoun comentou em: 08/04/2026 14:45

 

Café tenta reação após tombo histórico e abre em alta com mercado ainda sensível à safra brasileira

 

Arábica sobe mais de 300 pontos e robusta avança em Londres, mas cenário de superávit global e entrada da colheita limita recuperação

 

O mercado do café iniciou a sessão desta quarta-feira (08), com recuperação técnica nas bolsas internacionais após as fortes perdas do dia anterior. A abertura mostra tentativa de ajuste por parte dos operadores, mas o ambiente ainda é de cautela diante das projeções de aumento da oferta global e avanço da safra brasileira.

Na Bolsa de Nova York, o café arábica abriu em alta. O contrato maio/2026 iniciou em 289,30 cents por libra-peso com ganho de 320 pontos, julho/2026 abriu em 284,40 cents com valorização de 310 pontos e setembro/2026 iniciou em 272,45 cents com avanço de 325 pontos. O movimento reflete recompras técnicas após a liquidação intensa da véspera.

Em Londres, o robusta também abriu positivo. O contrato maio/2026 iniciou cotado a 3.329 dólares por tonelada com alta de 14 pontos, julho/2026 abriu em 3.249 dólares com avanço de 18 pontos e setembro/2026 iniciou em 3.182 dólares por tonelada com valorização de 21 pontos, acompanhando a reação do arábica.

Esse aumento da oferta tem como principal motor o Brasil. A expectativa é de uma safra próxima de 75 milhões de sacas no ciclo 2026/27, avanço superior a 20% em relação ao ano anterior, impulsionado pela recuperação climática e ganhos de produtividade, especialmente no robusta.

A leitura também é reforçada por análises da HedgePoint Global Markets. Segundo a analista Laleska Moda, a produção brasileira de arábica pode ficar entre 46,5 e 49 milhões de sacas, volume capaz de contribuir para um superávit global e pressionar preços, mesmo com estoques ainda relativamente baixos.

Além da oferta, o ritmo da colheita também entra no radar. A entrada dos primeiros volumes entre abril e maio tende a manter o mercado mais ofertado no curto prazo e limitar reações mais consistentes nas cotações, especialmente para o robusta, que já enfrenta maior disponibilidade.
No Brasil, o mercado físico também influencia o comportamento das bolsas. De acordo com análise da Safras & Mercado, é que, mesmo com o cenário de maior oferta, a recomposição dos estoques globais ocorre a partir de níveis historicamente baixos, o que mantém a volatilidade elevada e favorece movimentos bruscos tanto de queda quanto de recuperação.

A abertura desta quarta-feira indica apenas um ajuste após a queda expressiva anterior. O mercado segue sensível às projeções de safra brasileira, ao ritmo da colheita e ao comportamento dos fundos financeiros. A tendência de curto prazo continua marcada por forte volatilidade, com alternância entre recompras técnicas e pressão estrutural de oferta.

Por: Priscila Alves

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