T Ó P I C O : Café raro produzido em Minas chega a 20 mil dólares por saca e coloca Brasil no mercado de luxo
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Café raro produzido em Minas chega a 20 mil dólares por saca e coloca Brasil no mercado de luxo
Autor: Leonardo Assad Aoun
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Último comentário neste tópico em: 02/04/2026 10:21:48
Leonardo Assad Aoun comentou em: 02/04/2026 10:45
Café raro produzido em Minas chega a 20 mil dólares por saca e coloca Brasil no mercado de luxo
Um café produzido no Sul de Minas Gerais tem chamado atenção no mercado internacional pelo sabor diferenciado e pelo preço. Considerado raro, o produto pode chegar a cerca de 20 mil dólares por saca, o equivalente a aproximadamente R$ 100 mil, valor muito acima do praticado no mercado tradicional.
A bebida pertence à variedade eugeniodes, uma espécie ancestral que participou da origem do café arábica. Entre as principais características estão o sabor extremamente doce, o baixíssimo teor de cafeína e a quase ausência de amargor, atributos que colocam o produto no segmento de luxo.
Segundo o cafeicultor Luiz Paulo Dias Pereira, responsável pela produção, a raridade começa já na lavoura. “A característica desse café é bem clara. Enquanto um café tradicional produz cerca de 50 sacas por hectare, o eugeniodes produz duas sacas por hectare”, explica, em entrevista à Rede Mais.
A produção acontece em Carmo de Minas, na Serra da Mantiqueira, em altitudes que variam entre 1.200 e 1.500 metros. Luiz Paulo é a quarta geração de uma família que cultiva café há cerca de 200 anos e, pela primeira vez, decidiu investir na produção comercial desse tipo específico.
A aposta surgiu da busca por espaço no mercado internacional de cafés especiais. “A gente vinha procurando uma oportunidade de colocar o Brasil nesse mercado de luxo, que hoje é dominado por países como Panamá e Etiópia. É um mercado que ainda falta coragem para explorar”, afirma.
O cultivo, no entanto, exige cuidados extremos. Por não ter passado por melhoramento genético, o eugeniodes é altamente sensível. “Qualquer ‘gripinha’ pode afetar muito a planta. É preciso acompanhamento praticamente diário, porque a recuperação não é fácil”, compara o produtor.
Apesar do preço elevado, a demanda é alta. Luiz Paulo afirma que não consegue atender todos os interessados. Há compradores de países como Arábia Saudita, Emirados Árabes, França e Taiwan, e atualmente já existe uma lista de espera. “Hoje eu posso dizer que estou sobrevendido. Tenho mais gente querendo comprar do que café disponível”, diz.
Para efeito de comparação, uma saca de 60 quilos de café arábica comum é comercializada, em média, por cerca de 300 dólares no mercado internacional.
O reconhecimento também já veio. Em outubro de 2025, Luiz Paulo foi incluído entre as chamadas “lendas” do café especial mundial, um seleto grupo com apenas seis nomes. Para ele, o título vai além de uma conquista individual. “Isso não é só meu. É um reconhecimento do trabalho do Brasil na cafeicultura”, destaca.
Mais do que produzir um café raro, o objetivo agora é consolidar o país em um novo patamar no cenário global. “É um produtor tentando colocar o nome do Brasil na história dos cafés especiais pelo mundo”, conclui.
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