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T Ó P I C O : Posse da Embrapa Café celebra a riqueza e a diversidade da cafeicultura

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Posse da Embrapa Café celebra a riqueza e a diversidade da cafeicultura


Autor: Leonardo Assad Aoun

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Último comentário neste tópico em: 16/03/2026 11:50:35


Leonardo Assad Aoun comentou em: 16/03/2026 12:20

 

Posse da Embrapa Café celebra a riqueza e a diversidade da cafeicultura

 

Foto: Eduardo Pinho Rodrigues

Mais do que um momento institucional, a posse da nova Chefia da Embrapa Café, realizada na terça-feira (10/3), em Brasília, foi um encontro de pessoas, territórios e histórias que formam a riqueza da cafeicultura brasileira. 

Além de toda a Diretoria Executiva da Embrapa, participaram do evento autoridades, representantes do setor produtivo, empregados e cafeicultores de diferentes regiões do país (Amazônia, Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste), representando a diversidade dos cafés arábica e canéfora do Brasil. Também foi assinado um Termo de Cooperação com o Grupo 3corações, fortalecendo a parceria público-privada em prol de uma cafeicultura com qualidade, sustentabilidade e inclusão social.

Tomaram posse, como chefe-geral, o engenheiro agrônomo Rodolfo Osorio de Oliveira; a pesquisadora Priscila Grynberg (chefe adjunta de Pesquisa e Desenvolvimento); e os analistas Franklin Barbosa (chefe adjunto de Administração) e Renata Silva (chefe adjunta de Inovação e Negócios).

Ao assumir o cargo, Rodolfo Oliveira ressaltou que a cafeicultura enfrenta um período de profundas transformações, marcado por desafios como as mudanças climáticas, as exigências de sustentabilidade, a digitalização das atividades agrícolas e a crescente demanda por rastreabilidade e qualidade. 

“Nesse contexto, a pesquisa precisa ser mais integrada e conectada com as necessidades do setor produtivo e da sociedade”, reforçou. Entre as prioridades da nova gestão, ele citou a implantação do Núcleo de Estudos Avançados do Café, que funcionará junto ao AgroI, um centro de inteligência para apoiar a análise de dados e a formulação de estratégias para o agronegócio. 

Rodolfo também defendeu maior aproximação entre pesquisadores e cafeicultores, afirmando que a inovação no campo depende da interação entre ciência e experiência prática na lavoura, e enfatizou o papel do Consórcio Brasileiro de Pesquisa Café, coordenado pela Unidade. 

“Esse modelo de cooperação científica fortaleceu a pesquisa pública e contribuiu para o avanço do setor, ao permitir que diferentes instituições atuem de forma integrada no desenvolvimento de tecnologias e soluções para a produção de café”, afirmou.

Esforço coletivo

O pesquisador Antônio Guerra, ao se despedir do cargo que ocupou por quase 14 anos, destacou que os resultados alcançados no período foram fruto de um esforço coletivo envolvendo pesquisadores, analistas, técnicos, gestores e parceiros da cadeia produtiva. 

Ele agradeceu o apoio de entidades do setor cafeeiro, como a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) e o Conselho Nacional do Café (CNC), e assinalou que a cooperação institucional foi decisiva para enfrentar desafios e consolidar avanços na pesquisa e na gestão da unidade.

Demétrio Silva, reitor da Universidade Federal de Viçosa (UFV), que representou as entidades integrantes do Consórcio Brasileiro de Pesquisa Café, falou da importância da cooperação entre a Embrapa e instituições de ensino e pesquisa para o avanço da cafeicultura brasileira. “A presença de pesquisadores da Unidade em universidades fortalece a produção científica e o desenvolvimento tecnológico do setor”, comentou. 

Ele também reforçou que a proposta de uma gestão colaborativa, apresentada pela Chefia da Embrapa Café, inaugura uma nova fase na instituição. “Isso fortalece a integração entre as organizações que atuam na pesquisa cafeeira”, enfatizou Demétrio, defendendo a continuidade do modelo de trabalho baseado em parcerias.

Setor produtivo

Representando a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Ademar Pereira lembrou que os produtores rurais são beneficiários diretos da pesquisa pública, “que contribui para a evolução e a sustentabilidade da cafeicultura brasileira”. 

Pereira destacou, ainda, a importância das políticas públicas e do trabalho realizado por instituições ligadas ao Conselho Deliberativo da Política do Café (CDPC), afirmando que iniciativas conduzidas pela Embrapa Café têm sido fundamentais para o aumento da produção, especialmente em regiões de café de montanha.

Já a diretora-executiva da Organização Internacional do Café (OIC), Vanusia Nogueira, defendeu que a bebida seja reconhecida como um produto ligado à segurança alimentar global. Segundo ela, mais de 80% dos cafeicultores no mundo são agricultores familiares, que dependem da atividade para garantir renda e sustento. 
Vanusia ressaltou que o Brasil é uma referência mundial na produção de café e que a Embrapa tem papel central nesse protagonismo. “A pesquisa científica, a inovação tecnológica e o trabalho desenvolvido pela Embrapa Café são fundamentais para preparar o setor para o futuro, especialmente diante do desafio de engajar jovens produtores e atender às novas demandas de consumidores cada vez mais atentos à origem e à qualidade dos produtos”, frisou.

A dirigente alertou, ainda, que a liderança brasileira exige atenção constante à concorrência internacional e investimentos contínuos em pesquisa e desenvolvimento. “É essencial ouvir produtores e consumidores para orientar a evolução da cadeia produtiva”, finalizou.

Parlamentares

O deputado federal Rodrigo Rollemberg (PSB, DF) reforçou que o fortalecimento da pesquisa agropecuária é essencial para enfrentar os desafios atuais da agricultura brasileira, como as mudanças climáticas e as transformações no cenário internacional.

Em seu discurso, ele disse que a produção de conhecimento, o desenvolvimento de novas variedades e o avanço em tecnologias de rastreabilidade e certificação são fundamentais para garantir a competitividade da cafeicultura e de outras cadeias produtivas.

Rollemberg ressaltou o papel da Embrapa como uma das instituições capazes de unir diferentes setores do país em torno da ciência e da inovação. “Mesmo em um contexto de polarização política, a instituição permanece como referência nacional e internacional em pesquisa agrícola”, comentou. 

O parlamentar defendeu a necessidade de assegurar financiamento estável e robusto para que a Empresa possa cumprir sua missão estratégica e completou que o Congresso Nacional tem atuado para ampliar os recursos destinados à Embrapa. “Mas apesar dos avanços, ainda é pouco, diante dos desafios do setor”, completou Rollemberg, adiantando que continuará destinando emendas parlamentares a projetos da instituição, especialmente para as Unidades do Distrito Federal.

Também presente na cerimônia, o deputado federal Evair de Melo (Progressistas, ES) destacou a importância histórica e econômica da cafeicultura para o Brasil e para sua trajetória pessoal. Natural do Espírito Santo, ele lembrou que a cultura faz parte de sua história de vida e ressaltou o papel das gerações de produtores que ajudaram a consolidar a cultura no País.

Para o parlamentar, cafeicultores e pesquisadores tiveram papel decisivo na evolução da cafeicultura brasileira nas últimas décadas, com a introdução de novas técnicas e tecnologias que transformaram a produção nacional. Evair citou exemplos de inovação e expansão da cultura do café em diferentes regiões do país, como a Chapada Diamantina e o estado de Rondônia, onde o cultivo se desenvolveu com a contribuição de produtores migrantes e do conhecimento técnico aplicado à lavoura.

O deputado defendeu que a cadeia do café avance para além do consumo tradicional da bebida, ampliando o uso do grão e de seus derivados em alimentos e outras aplicações, como cosméticas e medicinais. “Isso exige integração entre diferentes áreas do conhecimento, como química, física e engenharia, além de maior investimento em pesquisa científica”, pontuou Evair, ressaltando o papel estratégico da Embrapa Café e das universidades na geração e na transferência de conhecimento para o setor.

Pilares

Encerrando a cerimônia de posse, a presidente Silvia Massruhá afirmou que o avanço da agropecuária brasileira está associado a uma estratégia baseada em três pilares: ciência e tecnologia, capacitação e políticas públicas. “A criação da Embrapa permitiu consolidar uma visão nacional para a pesquisa agrícola, combinando formação de pesquisadores, treinamento de produtores e apoio à formulação de políticas para o setor. Esse modelo contribuiu para que o Brasil se tornasse referência mundial na produção e exportação de alimentos”, ressaltou.

A dirigente lembrou que a agricultura enfrenta novas transformações, especialmente relacionadas à sustentabilidade ambiental, social e econômica, além de exigências de rastreabilidade e transparência. Ela observou, ainda, que as novas gerações estão mais atentas à nutrição, à saúde e à origem dos alimentos, o que exige que a pesquisa agrícola se adapte a esse novo cenário e reposicione suas estratégias para o futuro. Entre as prioridades, estão a transição energética, os impactos das mudanças climáticas e a inclusão socioprodutiva e digital de pequenos e médios produtores. 

A presidente apontou a necessidade de ampliar o valor agregado do café, citando pesquisas que buscam aproveitar subprodutos do grão em áreas como farmacêutica e saúde, ampliando as possibilidades econômicas da cadeia produtiva. 

Termo de Cooperação 

Logo após as falas, o Grupo 3corações, uma das maiores empresas do setor cafeeiro no Brasil, assinou um Termo de Cooperação com a Embrapa Café para ampliar a cooperação em projetos ligados à cadeia produtiva da bebida. Líder no mercado brasileiro de cafés torrados e moídos, a companhia possui portfólio com mais de 30 marcas e forte presença industrial e logística em todo o país.

A parceria entre a Embrapa e o Grupo 3corações, que já dura mais de sete anos, começou com o Projeto Tribos, voltado à produção sustentável de café em comunidades indígenas de Rondônia. Inspirada em iniciativas desenvolvidas pela Embrapa Rondônia, a ação teve início com três famílias e evoluiu para um programa que atualmente envolve mais de 160 famílias em duas Terras Indígenas — Sete de Setembro e Rio Branco — reunindo sete etnias e impactando diretamente cerca de 1,2 mil indígenas. 

Além do Projeto Tribos, a cooperação inclui o Projeto Florada, que incentiva a participação de mulheres na produção de cafés especiais por meio de capacitação, concursos e comercialização de microlotes. Desde 2022, a Embrapa contribui  no projeto, com a inclusão do café da espécie canéfora, fortalecendo a participação de produtoras da região Amazônica e de outras áreas produtoras da espécie no País. A assinatura do Termo sinaliza o interesse no aprofundamento de ações em parceria com foco, principalmente em ações de cunho social e voltadas para a agricultura familiar. Abre caminhos para atuações em outros territórios como Nordeste em ações e com demais unidades da Empresa, além da Embrapa Café.

“Com a assinatura desse Termo, oficializamos ainda mais que essa parceria com a Embrapa e reiteramos a força da união entre ciência, inovação e compromisso social. Iniciativas como o Projeto Tribos e o Projeto Florada mostram que é possível produzir cafés de alta qualidade promovendo inclusão, valorizando mulheres e povos indígenas e fortalecendo uma cafeicultura mais sustentável”, afirmou Patrícia Carvalho, líder de Cafés Especiais no Grupo 3corações, acrescentando que o acordo abre caminho para avançar em novas frentes de cooperação e ampliar o impacto positivo para toda a cadeia do café.

Convidados

A cerimônia reuniu produtores, especialistas e representantes do setor cafeeiro de diferentes regiões do país, inclusive cafeicultores reconhecidos pela produção de cafés especiais e pelo trabalho em indicações geográficas, que serviram a bebida aos convidados antes da posse. 

Participaram a cafeicultora indígena Celeste Suruí, de Rondônia, conhecida por valorizar o Robusta Amazônico produzido pelo povo Paiter Suruí; o produtor Luiz Carlos Gomes, de Santa Teresa (ES), campeão do Coffee of the Year 2025 na categoria canéfora; a cafeicultora Paula Gripp, do Caparaó mineiro, que integra produção de café e turismo rural; a engenheira agrônoma e produtora Roberta Sara, do Distrito Federal, premiada no Prêmio Café do Cerrado Central 2025; e Tadeane Matos, da Chapada Diamantina (BA), representante da quarta geração de cafeicultores na Fazenda Matos e atual presidente da associação de cafeicultores da indicação geográfica da região.

O evento contou com especialistas ligados ao mercado nacional e internacional e à governança da cadeia do café. Além da diretora-executiva da Organização Internacional do Café (OIC), Vanusia Nogueira, participaram Edgard Bressani, CEO da Latitudes Brazilian Coffees e embaixador dos Robustas Amazônicos; Juliano Tarabal, diretor-executivo da Federação dos Cafeicultores do Cerrado Mineiro; e Juan Travain, presidente da Caferon e do Instituto BRASIS Cafés de Origem, iniciativa voltada à valorização das indicações geográficas de café do Brasil. 

Também estiveram presentes os diretores da Embrapa — Clenio Pillon, Selma Beltrão, Ana Euler e Tereza Cristina —; o presidente do Conselho Nacional do Café, Silas Brasileiro; e o presidente da Emater/DF, Cleison Duval, entre outras autoridades.

Após a cerimônia de posse, os empregados da Embrapa Café participaram de uma reunião técnica, que se estendeu até a quarta-feira (11/3), e incluiu uma visita ao Banco Genético da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia. 

Eduardo Pinho Rodrigues (MTb/GO – 1073)
Embrapa Café

Contatos para a imprensa
cafe.imprensa@embrapa.br

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